‘Xingu’ estreou nos cinemas do Brasil

De acordo com dados do portal Filme B, nenhuma produção brasileira fez mais de 1 milhão de espectadores em 2012.

Xingú leva a história dos irmãos Villas-Boas ao cinema.

Caso você ainda não tenha visto fotos feitas pela reportagem do Canarana News no dia em que atores e integrantes do filme estiveram em Canarana, clique aqui !!!

Rio de Janeiro – A missão de “Xingu”, que estreia hoje em 200 salas de cinema do Brasil, é quase tão dura quanto a expedição que os irmãos Villas Bôas lideraram pelo Centro-Oeste brasileiro há sete décadas. O filme é a esperança de recuperação para um mercado que vem amargando resultados bem abaixo do esperado em 2012, com uma queda de 71% neste primeiro trimestre, em relação ao ano passado.

“Xingu” é uma obra de aventura com uma trama de conteúdo histórico. Ela narra a história de Orlando (Felipe Camargo), Cláudio (João Miguel) e Leonardo Villas Bôas (Caio Blat), o trio que desbravou matas virgens brasileiras a partir da década de 1940 e que estabeleceu contato com tribos indígenas que viviam isoladas. Foi pelas ações dos irmãos que a reserva do Parque do Xingu pôde ser criada, em 1961.

O filme, dirigido por Cao Hamburger, o primeiro depois do sucesso de “O ano em que meus pais saíram de férias” (2006), tem recebido elogios da crítica e foi eleito pelo público do último Festival de Berlim, em fevereiro, como o terceiro melhor longa-metragem de sua concorrida mostra Panorama. Mas o desafio que ele passa a enfrentar hoje é o do mercado.

De acordo com dados do portal Filme B, nenhuma produção brasileira fez mais de 1 milhão de espectadores em 2012. Entre 1 de janeiro e 31 de março deste ano, 54 filmes nacionais foram exibidos no país, totalizando 1,8 milhão de espectadores. No mesmo período do ano passado, os 36 filmes brasileiros que estiveram em cartaz foram vistos por 6,2 milhões.

— A gente precisa dobrar o número de filmes competitivos feitos no Brasil. Hoje, a indústria brasileira finge que produz 90 filmes por ano. Mas, na verdade, fazemos 90 produtos audiovisuais. Filmes para disputar o mercado são só uns oito. Enquanto isso, toda semana estreia um novo possível blockbuster estrangeiro. É um jogo desigual. É como se entrássemos em campo com menos jogadores do que o outro time — afirma Bruno Wainer, da Downtown, a distribuidora de “Xingu”.

— O problema é que, quando algum lançamento grande não vinga, o cinema brasileiro vai para o buraco. E a culpa não é dos produtores. Existe um problema crônico, estrutural, com o cinema brasileiro, que são os atuais mecanismos de estímulo do governo. Por serem limitados e cheios de burocracia, eles não conseguem financiar mais de oito filmes competitivos num ano.

A estratégia de lançamento de “Xingu”, segundo Wainer, trabalha num panorama de um “filme grande, mas com cautela”. Para superar o que parece estar sendo uma resistência do espectador nacional aos maiores lançamentos do ano, o distribuidor tem feito ações em escolas para mostrar que o longa-metragem trata de meio ambiente, um tema sempre em voga, de maneira atraente.

No último ano, a Downtown liderou o ranking de filmes nacionais com os 3,1 milhões de espectadores de “De pernas pro ar” (contando o público de 2010, a comédia foi vista por 3,5 milhões de pessoas e chegou a estar em cartaz em 345 salas). Em 2012, a empresa também está na frente, porém com um filme que teve um resultado aquém do almejado: “As aventuras de Agamenon, o repórter” estreou em 242 salas, mas atraiu “apenas” 920 mil pessoas aos cinemas. Nem “Agamenon” nem qualquer outro longa-metragem brasileiro conseguiu até aqui o que sete fizeram em 2011: entrar para o clube do milhão.

— Mesmo que o resto do ano seja melhor, certamente teremos um desempenho pior do que o de 2011 — afirma Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B.

— A questão é nossa carência em mecanismos de produção. As principais estatais, como Petrobras e BNDES, que historicamente financiam o cinema brasileiro, não lançaram editais durante 2011. Isso prejudica a grade de lançamentos, sobretudo a do primeiro semestre. Mas é importante dizer que não acho que tenhamos tido grande surpresas até aqui. Se alguém esperava mais dos filmes já lançados, estava equivocado.

Hoje, o ranking brasileiro se mantém com “Agamenon” na frente, seguido por “2 coelhos” (334 mil espectadores), “Billi Pig” (247 mil) e “Reis e ratos” (126 mil). Em quinto colocado, aparece o documentário “A música segundo Tom Jobim” (71 mil), talvez um dos poucos filmes do ano que possa bater no peito para dizer que se tratou de um sucesso para suas pretensões.

Agora, “Xingu” vai tentar dar a volta por cima. Depois dele, outros filmes com potencial virão, como “E aí, comeu?” e “Gonzaga — De pai para filho”.

— O ano não tem sido bom, mas vamos ver se a gente quebra este ciclo de 2012 e inaugura um novo ciclo — afirma Cao Hamburger.

d24

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