300 pessoas já retornaram a área de Marãiwatsédé; vereador cobra políticas públicas para agricultores

Pelo menos 300 pessoas retornaram às suas antigas  propriedades no distrito Estrela do Araguaia, em Alto Boa Vista, alvo de uma gigantesca força-tarefa para retirada de não índios na Terra Indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante, em 2012. A informação é do vereador da cidade, Nivaldo Oliveira (PP). O parlamentar informa que a medida é um protesto contra o governo federal que não ofereceu até hoje suporte aos agricultores que foram retirados da área. Ele nega as informações de que a estrada de acesso a região tenha sido alvo de bloqueios. “Trabalham em cima de mentiras. Lá não houve fechamento algum”.

Explica que ‘a Funai começou a destruir os currais no ano passado, destruir tudo. As famílias que já retornaram para lá disseram que não vão sair”. O vereador confirma ainda que esteve no domingo (26) na região e que pelo menos 300 famílias estavam no local e há expectativa é de que esse número aumente. Sem acomodações, eles utilizam o Posto da Mata como base para alimentação. ‘Eles se reúnem ali para o almoço e jantar.

Segundo o vereador, “o que as pessoas estão fazendo é um grande protesto porque foram arrancadas de sua vida e, simplesmente, jogadas. Algumas ficaram às margens da rodovia, outras na casa de parentes. “Eles receberam apenas um kit lona, que só tem uma lona preta e mais nada. Teve muita gente que se matou. Outras se suicidaram ou morreram por causa de conflitos depois da ação”.

Ele questiona ainda a homologação da terra indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante, data de 1998, mas a decisão judicial que determinou a retirada de não índios só foi prolatada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012. Desde então, o conflito jurídico entre a Funai e ruralistas se acentuou . ‘“Tudo o que construíram se baseia em mentiras. Não vimos indígena algum naquela região”.

A terra indígena tem 165.241 hectares e está localizada entre os municípios de São Félix do Araguaia e Alto Boa Vista. Atualmente, vivem cerca de mil indígenas Xavante. De acordo com a Associação dos produtores da Suiá Missú (Aprosum) mais de 7 mil pessoas moravam na área quando houve a desintrusão.

No domingo, a Justiça Federal determinou que a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal sejam intimadas para que retornem a região em razão do risco de invasão à terra indígena.  O juiz  Jeferson Schineider, da 5ª Vara da Justiça Federal,  determina que na hipótese da invasão ocorrer, as forças de segurança devem fazer a identificação dos invasores,  especialmente das lideranças, a apreensão dos veículos e equipamentos utilizados para resistir e desobedecer a polícia. OMinistério Público Federal será comunicado para tomar as providências cabíveis na esfera penal, como requerer a prisão dos responsáveis pela invasão.

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