Advogados se negam a defender acusado de matar juíza

Um dos motivos é a comoção popular que o homicídio causou em Alto Taquari

Há quase um mês, o presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Alto Araguaia (415 km ao Sul de Cuiabá), Moisés Borges Rezende Júnior, procura um advogado para fazer a defesa de Evanderly Moreira de Lima, que assassinou a juíza Glauciane Chaves de Melo, em junho deste ano.

No entanto, todos os advogados com quem Moisés conversou teriam se negado a realizar o trabalho.

Um dos motivos é a comoção popular que o homicídio da magistrada, morta com três disparos dentro do seu gabinete, no Fórum de Alto Taquari (479 km ao Sul), onde era titular, causou aos habitantes da região.

“Não só pela forma da morte, mas a juíza em si era muito querida por todos. Ninguém está querendo mexer com isso, já mandei ofício e email para todo mundo”, disse Rezende Júnior.

Outra razão para a negativa geral são os comentários de que os honorários para a realização da defesa seriam aquém do que a categoria considera satisfatório.

“Há também essa questão de valores, porque parece que uma a dra. Deuzânia, que havia assumido a instrução, não concordou com os honorários arbitrados e desistiu. E isso repercutiu mal”, disse o presidente da subseção da OAB.

Moisés Borges Rezende Júnior informou que, nesta terça-feira (03), irá até a Comarca de Alto Taquari tentar resolver a situação com o juiz Luiz Felipe Lara de Souza, responsável pela ação penal contra Evanderly.

“Se não conseguirisseadvogado em Alto Taquari, pretendo pedir à diretoria da OAB-MT um advogado de Cuiabá para atuar no caso”, disse.

Tramitação

Em setembro, o juiz Luiz Felipe Lara de Souza manteve a prisão preventiva de Evanderly e estabeleceu honorários de 13 URH (R$ 9.100,00) à advogada nomeada para defender o réu, Deuzânia Marques Vilela Alves.

Deuzânia solicitou que o valor dos honorários fosse elevado e o magistrado aumentou o valor para 20 URH (R$ 14.000,00), em outubro.

Mas, ela preferiu abandonar a causa.

Em novembro, o magistrado designou ao presidente da OAB de Alto Araguaia que indicasse um novo advogado para defender Evanderly.

O acusado irá enfrentar júri popular pela morte da juíza. A data do julgamento ainda não foi marcada.

Entenda o caso

Glauciane Chaves de Melo foi assassinada na manhã de 7 de junho, pelo ex-marido Evanderly de Oliveira Lima (43), no fórum da cidade, após uma discussão.

Eles foram casados por oito anos e se separaram no final de 2012.

Segundo as investigações, ele deu três disparos, sendo que dois tiros acertaram na região da nuca da magistrada.

Ele fugiu em seguida e foi preso três dias depois (10 de junho), numa região de mata, na zona rural de Alto Taquari.

Durante a fuga, Lima, que já foi bombeiro militar e atuava como enfermeiro, utilizou roupas camufladas e capim seco durante o dia. Durante a noite, ele andava para não ser localizado pelos policiais.

À época, quando foi ouvido na delegacia, Evanderly Lima utilizou seu direito de permanecer calado e só falar em juízo.

Informalmente, em conversa com o delegado, afirmou que no dia do assassinato tinha ido até o fórum para conversar com a magistrada, pois não concordava com a separação e queria reatar o casamento.

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