Agricultura cresce no Vale do Araguaia, mas infraestrutura não acompanha

Conhecida como ‘Comunidade dos Baianos’, o distrito de Espigão do Leste, nas margens da BR-080, é um bom exemplo da expansão da agricultura sobre áreas de pastagens. Pertencente ao município de São Felix do Araguaia, no leste de Mato Grosso, o distrito possui várias propriedades já na atividade agrícola e muitas em fase de conversão de pasto para agricultura. A comitiva da Aprosoja, que percorre desde o início da semana, o Vale do Araguaia, no ‘Estradeiro’ pela BR-158, contatou as mudanças que vem ocorrendo na região.

O gerente da fazenda Taiuva, Ademir Bósio, confira o crescimento. Ele está há sete anos nos ‘Baianos’, e destacou que o cultivo de soja na região vem aumentando bastante nos últimos anos. A propriedade pertence a um grupo de produtores sediados em Primavera do Leste, sul de Mato Grosso, e na safra 2011/12 plantaram 10 mil hectares com soja, além de 2,5 mil hectares com milho segunda safra.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que o município de São Felix do Araguaia cultivou, na safra passada, 138 mil hectares com soja e a previsão é que na safra 2012/13 o município deve aumentar para 151 mil hectares com a oleaginosa.

O leste de Mato Grosso tem atraído muitos produtores em virtude da disponibilidade de áreas para a agricultura. De acordo com o Imea, a região possui aproximadamente 6,87 milhões de hectares de pastagem e, deste total, 3,1 milhões podem ser convertidos para agricultura. Ao todo, segundo Imea, a região leste vai elevar em 25,9% sua área de cultivo de soja, passando de atuais 953,8 mil hectares para 1,2 milhão de hectares.

“São áreas planas, já abertas e de solo com baixa rentabilidade, que podem ser adaptados para o plantio de grãos. A incorporação de áreas de pastagem já ocorre em todas as regiões, mas em Espigão do Leste é onde observamos de maneira mais expressiva”, destacou o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, que lidera a comitiva em vistoria de obras de infraestrutura e logística pela rodovia federal BR-158 e outras vias estaduais.

E são exatamente infraestrutura e a logística que faltam para os produtores do distrito. “O desenvolvimento chegou e a infraestrutura que nós precisamos não”,  disse o gerente da fazenda Taiuva. Segundo Bósio, há somente um posto de saúde, uma escola, e praticamente não tem moradia para novos moradores em Espigão do Leste. O que preocupa muito, pois não há como alojar os trabalhadores que estão migrando para a região.

A falta de mão de obra é também outra carência. E os proprietários das fazendas precisam ‘importar’ trabalhadores de outros municípios. “O problema é que quando chegam aqui eles não querem ficar, pela ausência de infraestrutura”, comentou Ademir Bósio. São Felix do Araguaia é a cidade mais próxima da ‘Comunidade dos Baianos’ e está a 240 quilômetros de distância.

A solução foi qualificar os vaqueiros, afirmou o gerente da fazenda. “Os trabalhadores que antes lidavam com a pecuária hoje estão aprendendo a trabalhar na lavoura. Antes eram vaqueiros e agora estão aprendendo a ser tratoristas. Estamos transformando e qualificando as pessoas da região também”, ressaltou Bósio.

As rodovias são precárias e todas sem asfalto. “A agricultura vem dando resultados bons, mas precisamos de estrutura de logística boa com rodovias em condições. Temos aqui tecnologias iguais às utilizadas em outras partes do estado”, descreveu o administrador.

“Em época de escoamento não há caminhão que venha para cá”, reforçou Bósio. De acordo com o gerente da fazenda, 20% da soja produzida na propriedade vai para Colinas, no estado de Tocantins, além de São Simão, em Goiás. Em 2011/12 foram necessários pelo menos um mil caminhões para retirar a produção agrícola da propriedade e levá-la até os portos. A expectativa dos moradores e dos empresários é o asfaltamento da BR-080.

ESTRADEIRO – Para chegar a Espigão do Leste, a comitiva percorreu aproximadamente 990 quilômetros a partir de Primavera do Leste, onde foi a largada do Estradeiro BR-158, na última segunda (03). São cinco caminhonetes, com 19 pessoas, e a próxima parada já será em Redenção, no estado do Pará, nesta quarta (05). O objetivo do Estradeiro é inspecionar e mapear as condições de transporte da produção agropecuária mato-grossense. Além da BR-158, a Aprosoja já promoveu Estradeiros pelas rodovias federais BR-364 e BR-163 este ano

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