AINDA SEM NENHUM ASSENTAMENTO DO INCRA, DEMANDA EM CANARANA PODERÁ CHEGAR A MIL FAMÍLIAS

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canarana conta hoje com mais de 600 famílias associadas, uma força que vem trazendo muitos benefícios para os agricultores familiares. O presidente Olmar Goldoni, trouxe as últimas novidades, que irão impactar essa atividade que tanto emprega e gera recursos.

Depois de pedir a revisão de todos os processos de assentamentos pelo INCRA em Mato Grosso que estavam em andamento, o Ministério Público deve nos próximos dias liberar o pagamento para o proprietário da fazenda Lírio Branco, localizada na região da MT-110, a cerca de 20 km da cidade. Para isso basta o parecer da Sema (Secretaria de Meio Ambiente do Estado). A fazenda, com mais de 3.800 hectares, deve assentar mais de 100 famílias.

Porém isso não vai abrigar toda a demanda. Somente no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canarana, há mais de 200 famílias cadastradas para ganhar um pedaço de terra. Depois da efetivação do processo na fazenda Lírio Branco, o sindicato deve trabalhar por outros assentamentos no município, que até então é um dos únicos da região que não possui esses projetos inclusos dentro da reforma agrária.

Além da fazenda Lírio Branco, está em andamento um assentamento na fazenda Guatapará, mas segundo informações extraoficiais, pendências no processo podem prejudicar a sua concretização, o que provocaria a busca por uma nova área. A demanda pode chegar assim a mil famílias, visto também que o INCRA quer assentar aqui trabalhadores expulsos de Alto Boa Vista que estavam  na área que virou a reserva indígena Maraiwatsédé.

“O comércio local ganha muito com esses assentamentos, porque o trabalhador fixado no município vem pra cidade vender e fazer compras. Os fomentos oferecidos pelo governo também possibilitam muitos investimentos, seja em infraestrutura, seja para a produção, o que também joga recursos na economia do município”, colocou o presidente, que tem sido pioneiro na instalação de assentamentos em Canarana.

Além de trabalhar por um pedaço de terra, o Sindicato dos Trabalhadores tem atuado em prol dos direitos trabalhistas dos empregados rurais. Segundo o presidente, há mais de três anos ele vem lutando pela criação de uma convenção coletiva do trabalho entre os sindicatos dos trabalhadores e da classe patronal. Entre os principais temas que podem ser deliberados é o piso salarial do município para o empregado rural.

Outro fator importante que precisa ser discutido é com relação às gratificações. Boa parte dos sojicultores, por exemplo, acorda com os empregados, uma porcentagem na colheita da soja, só que a maioria dos proprietários não recolhe FGTS nem INSS sobre essa produção entregue ao trabalhador Caso não haja um acordo coletivo, as gratificações entram como salário sendo necessário então o recolhimento dos encargos empregatícios. Com o acordo firmado, vale como gratificação.

“Nós queremos fazer algo que fique bom pras duas partes, onde o trabalhador tenha os seus direitos garantidos e onde o empregador não sofra risco de ser acionado judicialmente. O município de Sorriso, por exemplo, maior produtor de grãos do Brasil, já tem uma convenção coletiva há anos. Se não fosse bom, eles não teriam feito”, explicou Olmar Goldoni, defendendo a realização do acordo em Canarana.

Outra boa notícia trazida pelo presidente é com relação ao programa do Governo Federal que vai financiar a construção de casas para trabalhadores rurais, sejam eles proprietários, empregados ou assentados. Cada família receberá 25 mil reais para a edificação da casa, sendo que 24 mil serão subsidiados pelo governo. Mil reais serão pagos pelo beneficiado em cinco anos. A casa poderá ser construída no interior ou até na cidade se o trabalhador residir na área urbana. Os interessados em adquirir este financiamento devem comparecer ao Sindicato dos Trabalhadores para que se conheça a demanda do município. O encaminhamento da documentação necessária será orientado pelo sindicato. Para ter acesso ao recurso o trabalhador precisa ser associado à entidade. (Da Redação do Jornal O Pioneiro).

Responder

comment-avatar

*

*