Após desintrusão, indígenas se preparam para reocupar Marãiwatsédé

Vila onde ficava o Posto da Mata já não existe mais. Casas foram demolidas

Terra Indígena Marãiwatsédé – A desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsédé, no Mato Grosso, foi oficialmente concluída em 28 de janeiro. A operação de retomada e devolução da área de 165 mil hectares para o povo Xavante foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em outubro de 2012. O processo teve início em 7 de novembro e os invasores começaram a ser gradualmente retirados pela Força Nacional em 9 de dezembro. Agora, prontos para retomar totalmente o controle da área, os indígenas começam a planejar a reocupação.

Inserida no centro de uma nova fronteira de avanço da soja que se abre no estado, a área foi uma das mais devastadas no Mato Grosso nas últimas duas décadas (clique aqui para ver em vermelho em um mapa o avanço do desmatamento na área). “Queremos recuperar as matas e a natureza, a caça precisa voltar. Os animais foram afastados quando começaram a invadir e derrubar as matas, por falta de alimentação”, diz o cacique Damião Paridzané. O grupo armazena e prepara mudas para tentar reflorestar novas áreas dentro da terra indígena. Marãiwatsédé significa “mata fechada” na língua dos indígenas.

A tentativa de resistência à desintrusão, fortemente apoiada por latifundiários locais que controlavam grandes áreas dentro da terra indígena, está relacionada ao preço crescente das terras e ao asfaltamento de rodovias próximas. O contexto preocupa os Xavante. “Fechamos um compromisso, não vamos nem alugar nem arrendar nossas terras. Fazendeiro é sabido, se a gente alugar o pasto, ele vai entrando cada vez mais um pouco, e aí volta todo mundo”, anuncia o cacique. Ele concedeu entrevista à Repórter Brasil acompanhado do conselho de anciões e demais líderes da aldeia, logo após receber uma remessa de mudas. “Estamos esperando para ocupar a terra e precisamos de assistência e apoio. É hora de fazer projetos e temos conversado sobre isso na comunidade. Primeiro, precisamos de apoio para recuperar a natureza. Segundo, melhorias de saúde e escola. Depois, apoio para agricultura ou para pequenas criações”, afirma.

Responder

comment-avatar

*

*