Após uma semana, ex-primeira-dama de MT deixa a prisão em Cuiabá

Roseli Barbosa foi presa na última quinta suspeita de desviar R$ 8 milhões.
Ela obteve liberdade em pedido de Habeas Corpus feito ao STJ.

A ex-primeira-dama de Mato Grosso, Roseli Barbosa. (Foto: Jana Pessôa/Setas-MT)

Após uma semana de reclusão, a ex-primeira-dama de Mato Grosso Roseli Barbosa deixou a prisão na tarde desta quinta-feira (27), em Cuiabá. Ela havia sido presa preventivamente na última quinta-feira por conta de investigações sobre um suposto rombo de dinheiro público na Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas), comandada por ela durante a gestão de seu marido, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB). A ex-primeira-dama obteve a liberdade em um pedido de Habeas Corpus deferido na quarta-feira pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça(STJ), em Brasília.

Roseli Barbosa foi alvo da operação Arqueiro, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). Localizada em um apartamento em São Paulo, ela foi transferida paraCuiabá e chegou a ficar presa no Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, mas acabou sendo transferida para a cela feminina do quartel do Corpo de Bombeiros na capital, onde ficou a tarde desta quinta-feira.

Embora o Habeas Corpus tenha sido deferido no final da tarde de quarta-feira, o alvará de soltura só foi cumprido no final da tarde desta quinta-feira. Após a chegada do oficial de Justiça e dos advogados de Roseli ao quartel do Corpo de Bombeiros, a ex-primeira-dama foi liberada, mas teve de ser levada sob escolta dentro de um carro da Polícia Militar até o Fórum da capital. Roseli Barbosa não chegou a falar com a imprensa após deixar a prisão.

Sem tornozeleira
No Fórum de Cuiabá, Roseli Barbosa participou de audiência com a juíza Selma Rosane Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal, que havia determinado a prisão preventiva por força das investigações da operação Arqueiro. Na audiência, a magistrada negou pedido do Ministério Público para que a ex-primeira-dama fosse submetida ao uso de tornozeleira eletrônica em liberdade como medida restritiva.

Por outro lado, a juíza determinou que Roseli entregue seu passaporte para que seja impedida de deixar o país enquanto responder às acusações. A apreensão do passaporte deve ocorrer em até 24 horas.

A magistrada determinou que a Polícia Federal seja informada da restrição de deslocamento da ex-primeira-dama e também determinou que o serviço exterior dos países do Mercosul sejam informados da restrição de entrada de Roseli nos respectivos territórios, uma vez que os estados membros do bloco não exigem entre si a apresentação de passaporte para o ingresso de seus viajantes.

A ex-primeira-dama também terá de comparecer mensalmente na Vara todo dia 27, não poderá se ausentar da área da comarca sem autorização judicial, não poderá entrar nas dependências da Setas ou das empresas mencionadas no processo e também não poderá entrar em contato com os demais investigados e réus.

De acordo com o advogado Ulisses Rabaneda, um dos que defendem Roseli Barbosa, as medidas cautelares já seriam cumpridas por iniciativa da própria ré, independentemente da determinação da Justiça.

Réus em liberdade
Além de Roseli Barbosa, na última quinta-feira foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra outros três investigados na operação Arqueiro: o ex-assessor especial da Setas Rodrigo de Marchi, o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Sílvio Cezar Corrêa Araújo, e o empresário Nilson Costa e Faria. Todos são acusados de integrar o mesmo esquema de desvio de dinheiro público na Setas, que teria perdido pelo menos R$ 8 milhões por conta de superfaturamento e fraudes em contratos de convênios com instituições sem fins lucrativos de fachada.

Dentre eles, o primeiro a obter decisão de soltura foi Rodrigo de Marchi, que conseguiu um Habeas Corpus na última terça-feira, deferido pelo desembargador Orlando Perri, do TJMT.

Nesta quinta-feira, Sílvio Cezar Corrêa Araújo também obteve Habeas Corpus no STJ, proferido pelo mesmo ministro que determinou a soltura de Roseli Barbosa. Ele ainda deve decidir também se concede pedido de Habeas Corpus de Nilson Costa e Faria, o único dos quatro réus que ainda não obteve liberdade por meio de decisão judicial ministro. G1.MT

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