Araguaia, dividir para multiplicar

No momento em que as discussões no Congresso Nacional voltam a considerar os projetos de divisão territorial, com ênfase para as propostas que contemplam a divisão do Estado do Pará, confesso que estou estranhando a apatia, notadamente dos habitantes do Vale do Araguaia, em relação à possibilidade de divisão do Estado de Mato Grosso. 

Como cidadão residente há mais de duas décadas na região, vejo com expectativa otimista a criação do “Estado do Araguaia” que contemplaria a região de influencia do Vale do Rio Araguaia, detentora de um enorme potencial para atividades agrícolas, pecuárias e turísticas.

Inobstante seja a região com um dos maiores potenciais de desenvolvimento econômico do país, o Araguaia historicamente foi relegado a planos inferiores pelos vários governos estaduais, como resultado, apresenta carência de obras estruturantes como a conclusão das Br´s 158 e 242, pavimentação das MT´s 020 e 080, Federalização da futura BR 251 e construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste – FICO.

Apesar dos enormes potenciais, sempre tivemos pequena representatividade política, conseqüência da baixa densidade eleitoral e do sistema eleitoral vigente, residindo ai talvez a falta de ações efetivas para a construção da logística regional.

Com a criação do “Estado do Araguaia” esta representação será devidamente preenchida no âmbito dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, fato que nos permite antever um cenário promissor de desenvolvimento.

Ocupando 10% do Território Nacional, o Estado do Mato Grosso possui dimensões gigantescas e demandas elevadas, características que distanciam o governo da população gerando insatisfação e via de regra, sentimentos de abandono.

Além disso, as distintas regiões do estado apresentam características peculiares senão flagrantes diferenças sociais, culturais e econômicas entre elas, dificultando a unidade e a criação de uma identidade própria.

Este cenário estimula o sentimento emancipacionista como fato motor da aceleração do desenvolvimento.

Aqueles que argumentam contrariamente a divisão territorial apelando para os elevados custos financeiros com a implantação e o custeio da máquina estatal, com convicção afirmamos que o desenvolvimento das potencialidades econômicas do futuro estado gerará, a médio prazo, dividendos suficientes para manter a máquina estatal e ainda colaborar com o superávit econômico do país.

Como exemplos desta assertiva, podemos citar o próprio estado de Mato Grosso e o Estado do Tocantins, duas jovens unidades federativas que após as respectivas emancipações experimentam índices acelerados de desenvolvimento.

Enfim, como cantava Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Creio que é chegada a hora da discussão, do debate franco, propositivo e honesto, sem demagogias, sem subterfúgios, sem interesses mesquinhos.

Com coragem, determinação e trabalho haveremos de transformar o formidável “Vale das Promessas” no promissor Estado do Araguaia. No Coração do Brasil.

 

 

LUIZ OMAR PICHETTI

Engenheiro Agrônomo

Cidadão do Araguaia

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