Artistas de Votuporanga que atuam em hospitais e escolas, vivem experiências com crianças indígenas

Dez dias entre os xavantes e um aprendizado que vai ser levado para o resto da vida. Essa foi a experiência mais recente do grupo APÇ Atos e Palhaços, de Votuporanga. De 10 a 20 de abril, Aldo Dezan, 43 anos, o Chowquito, e Paulo Matta Júnior, 49, o Chuvisco, levaram brincadeiras e palhaçadas para os índios da aldeia Cachoeira, dentro da reserva indígena Areões, que fica próxima a Nova Xavantina, no Mato Grosso.“Eles não falam português é só xavante mesmo. Foi algo diferente de tudo que a gente já tinha feito antes”, diz Aldo.

O APÇ, criado há quatro anos, atua em hospitais, escolas, asilos, orfanatos e empresas de Votuporanga, Rio Preto e Barretos.

Universal/ Como a alegria transcende fronteiras, o grupo adaptou as palhaçadas e usou mímicas e músicas. “Adotamos a pantomima, que são gestos e expressões corporais para fazer as brincadeiras. As crianças adoraram e pediam mais o tempo todo”, diz Aldo.

Os palhaços também fizeram apresentação de números de mágica e malabares.“As crianças pediram para que a gente ficasse mais. Vamos voltar lá.”

Permissão/ Para conseguir entrar e passar dez dias na aldeia, Aldo e Paulo contaram com a ajuda do amigo Marcelo Okimoto, que mora há 16 anos em Nova Xavantina, e já fez trabalhos com as trilhos xavantes da região. Marcelo também ajudou na comunicação entre os atores e os índios. “Em nosso primeiro contato, o cacique Pedro perguntou o que pretendíamos fazer lá. Eu disse que era para levar alegria para as crianças e ele disse que as crianças lá já são muito alegres”, diz Paulo.

“E eu respondi: ‘Então vou aprender um pouco de alegria com as crianças daqui”, acrescenta o ator e palhaço.

Diferenças/ O que mais chamou a atenção de Aldo e Paulo é a alegria das crianças indígenas e o respeito que elas têm entre elas e pelos mais velhos.

“Foi uma experiência de vida incrível e uma escola para nós. As crianças vivem brincando e deixam tudo o que estão fazendo para atender pedido dos adultos. É uma outra civilização. É incrível”, diz Paulo. Nos dez dias em que permaneceram na aldeia, os palhaços viveram como os índios. Dormiram em ocas e tomaram banho em rio. “Só tem um pequeno gerador que é usado para ligar a TV nos dias de jogos. A maioria lá é corintiana”, observa Aldo.

APÇ vai fazer documentário sobre jogos da Semana do Índio

A reserva Areões é composta por 19 tribos e cerca de mil índios. Durante a Semana do Índio, no final de abril, todos se reuniram na aldeia Cachoeira para os jogos indígenas. O grupo APÇ Atos e Palhaços aproveitou para filmar as disputas e em breve vai lançar um documentário com as lutas, danças e jogos dos xavantes. “Estamos editando o material. É riquíssimo e ficou muito bom”, diz Aldo Dezan.

As 19 tribos disputaram uma série de torneios, entre os quais a corrida com tora, que obedece ritos tradicionais de significado social, religioso e esportivo, canoagem e futebol.“Na final dos jogos sai o clã vencedor. É uma grande confraternização entre as tribos e ao mesmo tempo, eles mantêm suas tradições”, diz Aldo.

Os jogos e brincadeiras indígenas são considerados pelas tribos a forma de desenvolver habilidades que serão importantes ao longo da vida.

O APÇ Atos e Palhaços foi criado em dezembro de 2008. Aldo e Paulo são amigos de infância, em Votuporanga. O primeiro estava em um grupo de voluntários que visitava crianças nos hospitais em São Paulo e o segundo, fazia o mesmo trabalho, em Florianópolis.Eles se reencontraram em 2007 e decidiram se unir e montar o grupo em Votuporanga.

Todas as semanas, Chowquito e Chuvisco visitam e levam alegria e arrancam risadas de crianças da Santa Casa de Votuporanga, do HB em Rio Preto e do Hospital do Câncer, em Barretos. O grupo também desenvolve projetos em escolas. Ensinam as crianças a ser palhacinhos. Depois, esses alunos levam alegria a idosos ou pessoas com deficiências.

“Eles aprendem o respeito aos mais velhos e às diferenças. É um trabalho que também atua direta mente sobre o bullying nas escolas [violência física ou psicológica contra crianças e adolescentes].”

redebomdia.

Responder

comment-avatar

*

*