Atraso marca obra de pavimentação da rodovia BR-242 em Mato Grosso

Serviços licitados ainda em 2010 iniciaram somente em 2011.
Investimento previsto para rodovia é de R$ 600 milhões.

rodovia em Mato Grosso (Foto: Leandro J. Nascimento/G1)Uma das utilizações da rodovia será para escoar a safra de Mato Grosso (Foto: Leandro J. Nascimento/G1)

Cifras milionárias para uma obra e prazos de entrega com data programada já ultrapassada. O atraso marca as obras de pavimentação da BR-242 em Mato Grosso, rodovia considerada importante rota de escoamento para a produção agrícola do estado. Impasses entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado (Sema) quanto à emissão de licenças acarretaram uma série de mudanças no cronograma. Serviços licitados ainda em 2010 tiveram início somente em 2011.

Ao todo, 13 lotes deverão ser asfaltados na rodovia federal cuja extensão aproxima-se dos 600 quilômetros somente em Mato Grosso. No entanto, apenas em dois pontos os trabalhos foram concluídos: nos 85 quilômetros de Sorriso a Nova Ubiratã, bem como na região entre Querência e a BR-158. Referem-se aos lotes zero e o 12, respectivamente.

Para Edeon Vaz Ferreira, coordenador-executivo do Movimento Pró-Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), o imbróglio prejudicou a execução do projeto total da rodovia no estado. “Houve uma queda de braço entre Ibama e Sema até que o trecho foi licenciado pela Sema com anuência do Ibama. Se não tivesse ocorrido o problema, a obra teria começado em 2010, quando foi licitada. Já estaria outra realidade. Se não pronta, pelo menos adiantada”, declarou.

Para o setor produtivo e representantes dos diferentes segmentos econômicos, a retomada na pavimentação trouxe um alívio a quem depende da rodovia para escoar a safra ou mesmo importar produtos e mercadorias para as cidades. Após Nova Ubiratã a Sorriso e também Querência, as obras agora ocorrem em quatro novos trechos com extensão geral de 156 quilômetros.

Mas o ritmo ainda é considerado tímido, conforme explica Edeon Ferreira. Isto porque dos quatro pontos, há asfalto pronto em uma extensão inferior a 20 quilômetros. Há pontos onde foram realizados sub-base, terraplanagem e imprimação. Este último consiste na colocação de uma camada de película asfáltica em área onde já houve a base a sub-base.

A preocupação, de acordo com o coordenador do Movimento Pró-Logísica, está no trecho de número 3. Nos 42,35 quilômetros de responsabilidade da empresa sequer houve obras.

Rodovia em obras em MT (Foto: Leandro J. Nascimento/G1)Rodovia BR-242 vai interligar médio norte de MT com
região do Araguaia (Foto: Leandro J.Nascimento/G1)

Ano de projetos
O ano de 2012 deve ser marcado apenas pelo andamento dos trâmites burocráticos para garantir que os serviços cheguem aos demais lotes da rodovia. “O ano vai ficar em cima somente de projetos. Só acreditamos que entrará a licitação de 2013 em diante”, ponderou.

Presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Laércio Pedro Lenz diz que a BR-242 será uma importante via de ligação da região norte e médio norte com o Araguaia, por meio da BR-158. “Vai ser uma via de escoamento. A BR-242 vai ser uma nova opção, pois ligará a municípios como Primavera do Leste, Rondonópolis, por exemplo. Logística é um gargalo e pesa no bolso do produtor. No momento que tivermos melhoradas as condições, reduziremos os custos”, destacou.

Em alguns dos trechos onde as obras são realizadas, placas do governo indicavam que a entrega deveria ocorrer ainda no mês de março.

Custos totais
Os custos universais da pavimentação podem chegar a R$ 600 milhões segundo estimativa do Governo Federal. Em alguns lotes, por exemplo, projeta-se gastar R$ 700 mil por quilômetro. No entanto, para alguns o valor poderá chegar a R$ 1 milhão em função das correções de projetos.

As constatações acerca do andamento das obras da BR-242 foram feitas durante o primeiro dia do estradeiro realizado pela Aprosoja Mato Grosso. A comitiva composta por representantes da entidade, Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) e sindicatos rurais percorre os mais de 2 mil quilômetros que ligam a capital Cuiabá até Porto Velho (RO), passando por diferentes pontos considerados essenciais para o melhoramento da logística terrestre.

O objetivo é avaliar o estágio das obras, diagnosticar o andamento e velocidade das execuções. Conforme explica Daniel Sebben, gerente da Comissão de Logística e Estratégias de Desenvolvimento, os relatórios gerados mediante análises ao longo do trajeto serão encaminhados aos representantes dos governos e demais entidades/órgãos envolvidos nas obras.

“Esses relatórios têm dupla função. Utilidade tanto para nós quanto para entidades discutirem com quem está executando os projetos, seja Dnit, Ministério dos Transportes, bem como para munir a sociedade e nos ajudar a disseminar isso [conhecimento]”, frisou.

G1 MT

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