Bebê indígena enterrada viva já está em Canarana

CANARANA – A bebê indígena enterrada viva pela família em Canarana, Analu Paluni Kamayura Trumai, deixou o hospital na quarta-feira (10) e foi trazida de avião para a Casa da Criança Hygino Penasso, em Canarana. A menina ficou mais de um mês internada na Santa Casa de Misericórdia em Cuiabá e teve alta na segunda-feira (9).

Enquanto esteve internada na UTI, ela chegou a passar por uma intervenção cirúrgica em razão de uma hemorragia digestiva e do mau funcionamento dos rins. Ela também apresentava quadro de infecção generalizada, distúrbio de coagulação e também uma hemorragia digestiva.

De acordo com a unidade hospitalar, a menina foi acompanhada de representantes do Ministério Público Estadual (MPE). O órgão havia solicitado à Justiça que a recém-nascida fosse levada para um abrigo. O pedido foi acatado pelo juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara Criminal e Cível de Canarana.

A recém-nascida foi resgatada em 05 de junho deste ano, depois de ter sido enterrada viva por familiares e ficar mais de 7 horas debaixo da terra. As investigações apontaram que eles não aceitavam a criança pelo fato dela ser filha de mãe solteira e o pai ser de outra etnia.

A avó do bebê, Tapoalu Kamayura, de 33 anos, e a mãe dela, Kutsamin Kamayura, de 57 anos, foram presas e teriam premeditado o crime. Kutsamin alegou à polícia que enterrou a menina por acreditar que ela estivesse morta. As duas foram soltas e usam tornozeleira eletrônica por determinação da Justiça.

O pai e mãe da menina, ambos menores de idade e de etnia diferentes, foram ouvidos pela polícia e manifestaram interesse em ficar com a criança. O Ministério Público Federal requisitou um estudo antropológico, que deve nortear a situação.

 Juiz manda avó e bisa ficarem na Funai em Canarana

O juiz Darwin de Souza Pontes, da Primeira Vara Criminal e Cível de Canarana, determinou que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) cumpra imediatamente a ordem de prender preventivamente as indígenas Kutsamin Kamayura – bisavó, e Tapoalu Kamayura – avó da pequena Analu. A decisão, proferida no último dia 10, é marcada por dura avaliação sobre o comportamento da FUNAI e de sua Procuradoria. “Parecem se esforçar para ludibriar o juízo” e agem com “má-fé”.

“Resta evidente que estão embaraçando o processo, dado que até o presente momento, a ré Kutsamin não foi trazida para a sede da FUNAI em Canarana, para que fique presa administrativamente, e possa ser monitorada e também para que ocorra a sua citação. A FUNAI, por através de sua Procuradoria alega que não tem verbas para promover o traslado de Gaúcha para Canarana, todavia há ônibus regular de Gaúcha do Norte para Canarana pela empresa FRIGOTUR, também o acesso via terra entre Canarana e Gaúcha está em boas condições de tráfego, o que demonstra que seria simples traslada-la, mesmo que por via terrestre, menos onerosa ao órgão público”, continua.

Desta feita, a justiça mantém a decisão que determina que Kutsamin Kamayura e Tapoalu Kamayura (avó do bebê) cumpram prisão administrativa na sede da FUNAI em Canarana, com uso de tornozeleiras eletrônicas. “Concedo prazo de 48 horas para cumprimento da presente decisão pela FUNAI, sob pena de conversão imediata em prisão preventiva”.

jopioneiro

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