Bom dia aos companheiros de luta grevistas, aos não grevistas, pais dos nossos alunos e comunidades em geral.

Gostaria de agradecer a todos ao apoio que tive ao fazer algumas colocações a respeito da greve e as várias solicitações de amizade no facebook: é estimulante saber que tanta gente pensa da mesma forma, age apropriadamente e defende sua causa! Vou citar aqui duas estórias assim, ressaltando a diferença delas para o nosso movimento. Antes disso, devo esclarecimentos a alguns colegas de trabalho: idealizar algo não é comparar, é deixar o referido no mundo das idéias! Dessa forma, não efetuei xingamento algum aos colegas não grevistas comparando-os com mortos e feridos! Colegas, convenhamos, não há motivos para se sentirem ofendidos! Que fiquem na defensiva, compreendo, mas achar que cada comentário é um ataque, começa a virar política do contra… Mas ainda assim , se vocês se sentem ofendidos (as), deixo aqui um sinto muito, não é a intenção!

Ontem, ao assistir o Fantástico, revi a estória da estudante paquistanesa Malala, que como todos sabem, luta pelo direito das meninas paquistanesas estudarem! Vejam bem, uma garota – porque é isso que ela é – que foi baleada, coloca em risco sua vida para defender seus ideais! Bonita estória! Até mesmo comovente, não? Logo em seguida, o Fantástico conta outra estória de uma professora da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Vânia Aparecida, que viu nas músicas de Maria Bethânia uma oportunidade de diferenciar suas aulas tornando-as mais dinâmicas e agradáveis até para quem não gosta de estar em sala. O projeto já dura seis anos, e é um sucesso! Mas o que me chamou mesmo a atenção foi um comentário sobre a Vânia: “Que era engraçada, que ela não era uma professora normal, que dava aula normal”, disse o estudante Rafael de Jesus, de 17 anos, seu aluno. Em que momento essa professora deixou de ser normal? Quando resolveu realizar suas idéias!

Deixo aqui algumas perguntas a quem está lendo: Por que o Fantástico não fala das greves de professores em todo Brasil? Querem passar a imagem que tudo está bem, que existem pessoas que podem fazer diferença na educação, não é? Por que o Fantástico conta duas estórias sobre educação no mesmo dia? Por favor, tentem responder criticamente…

Comparativamente, no primeiro instante, imaginamos que nenhuma das suas histórias tem a ver com a nossa luta grevista. Mas vejamos: Malala provavelmente iniciou sua jornada sozinha, mas o movimento certamente ganhou força quando outras pessoas aderiram à sua causa. Veio aí um prêmio Nobel! Já a professora Vânia, teve e tem a participação de seus alunos, da própria Maria Bethânia e quase certamente da sua escola. Percebem? Uma idéia, uma causa, não se concretiza se não há compartilhamento, cumplicidade e entrega dos que fazem ou podem fazer parte dela!

O fantástico de ontem, 13/10, foi ao ar dois dias antes do dia do professor! Até comercial (com uma música muito bonita, por sinal), foi ao ar no horário nobre de domingo! Essa semana somos destaque! Vamos aproveitar o momento então e fortalecer nossa luta! Companheiros não grevistas, nos dêem um dia, somente um, para que nos digam que não estamos sem vocês! Fechem as escolas dia 16, já que na grande maioria delas já não haverá aula dia 15! Fortaleçam-nos! Uma atitude assim pode representar muito para quem já está na luta a mais de dois meses… Seria um novo ânimo! E para o governo, uma clara demonstração de união e de garra! Podemos garantir nossa vitória se vocês nos ajudassem! Não deve ser muito sacrificante um dia, não? Não há necessidade de irem as ruas, só o fato de paralisarem já seria algo grandioso! Contamos com vocês, mesmo que não acreditem em nosso movimento!

Me despeço de todos desejando uma iluminada semana de reta final de greve!

FELIZ DIA DO PROFESSOR!

Prof. José Ramos M. Neto

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