Cacique Damião reclama da Funai, diz que não vai arrendar terra e chama de criminosos os produtores

“Somos é gente não bicho, somos ser humanos, lutamos pelo índio”

 O Cacique indígena Damião Paridzané, principal líder Xavante da recém-conquistada judicialmente reserva Marãiwatesédé disse que a luta é pelos irmãos índios, em entrevista recente a ONG Repórter Brasil, o Cacique Damião falou sobre diversos assuntos e criticou inclusive a FUNAI, ele acusou o órgão de não ter apresentado plano de desintrusão na desocupação da Suiá Missú, além de não dar atendimento aos índios.  “Não pode fundar aldeia e os povos serem jogados sem assistência, sem apoio”, criticou ele afirmando que a primeira coisa é fazer o projeto de reocupação da área, “primeira coisa faz projeto para recuperar as naturezas, depois a implantação de saúde, escolas e por fim projetos de atividades de agricultura ou criação também”, disse Paridzané.

 Damião fez questão de ressaltar que não quer negócio com branco, ele disse que não vai haver arrendamento das terras desocupadas da Suiá, o que os índios pretendem é deixar a mata crescer. ““A terra é dos índios, mas acabou com toda a natureza, mas queremos recuperar, as matas e a natureza precisam recuperar e a caça precisa voltar, pois foram afastados há muito tempo quando começaram a invadir e derrubar as matas, a caça se afastou por falta de alimentação”, afirmou o Cacique garantindo que os indígenas tem um projeto de reflorestamento da antiga fazenda Suiá Missú.

 O Cacique além de afirmar que a luta ainda não acabou, também alertou que não quer plantação de soja próximo a Aldeia, a distancia terá que ser de 50 a 100 km.  “somos gente não é bicho, somos ser humanos, lutamos pelo índio, e minha luta não acabou”, disse ele. “A comunidade Marãiwatesédé não vai aceitar o aluguel dos pastos para os fazendeiros, não vai aceitar arrendar para ganhar meia-a-meia de produção dos fazendeiros, não adianta alugar pastos, pois fazendeiros sabidos se a gente alugar pastos vai entrando cada vez mais, e ai volta todo mundo branco de novo”, ponderou o cacique que segundo ele os índios têm que procurar juntos, da sua própria inteligência uma forma de aproveitar a terra, plantar, criar e gerar rendas.  “A FUNAI tem que conversar com os produtores, tem que falar para eles plantarem longe da aldeia, plantar 50 à 100 km longe daqui”, disse ele temendo que os insumos agrícolas tragam doenças para os índios, “tem câncer, tem doenças, nossa respiração não é ar puro, estamos respirando agora ar contaminado, não podemos aceitar” disse ele. Damião não perdeu a oportunidade e alfinetou  chamando de criminosos os agricultores. “Esse que faz isso é criminoso, só pensam em prejudicar a saúde dos povos brasileiros, por isso que aparece doença de rico”, disse ele sobre os defensivos agrícolas usados nas plantações de soja.

Reporte do Araguaia

 

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