Caio Blat fala sobre o início na TV e sua atuação no filme Xingu


Quando era adolescente, Caio Blat gostava tanto de literatura policial que ele mesmo resolveu escrever uma história. “Era algo bem Agatha Christie. Se passava na Inglaterra e os personagens tinham todos nomes ingleses”, conta o ator, que participou da Feira Nacional do Livro na última semana, no projeto Nossa Aldeia.

Mas o rapaz escolheu outros caminhos. Começou cedo em comerciais televisivos e logo foi chamado a trabalhar em novelas e minisséries. “Aos 18, fiz meu primeiro filme, o ‘Lavoura Arcaica’, e logo fui para o Rio de Janeiro fazer [a série] Chiquinha Gonzaga na Globo e até hoje estou lá”, recorda.

Para ele, trabalhar ainda jovem garantiu bagagem suficiente para estrear numa grande emissora com bons papéis. “Acredito que, graças a isso, me tornei um adolescente preparado para encarar papéis mais difíceis, tanto na TV quanto no cinema”, ressalta.

Desde essa época Caio, que chegou a estudar Direito na USP de São Paulo, é ligado em política e a movimentos ambientais e sociais. Atualmente, por exemplo, é parceiro da ONG Nós do Morro, que forma atores moradores no morro do Vidigal, no Rio.

Cinema

Porém, foram os seus papéis no cinema que lhe garantiram credibilidade e visibilidade. “Minha geração teve o privilégio de poder fazer carreira no cinema. Percebemos isso e simplesmente tomamos posse”, diz, com um sorriso no rosto.

Para ele, o cinema é uma excelente forma de se discutir a realidade brasileira e registrar o passado e o presente do País.  “Se alguém perguntar, daqui a alguns anos, o que era ser jovem no Brasil na virada do milênio, assistindo aos filmes vai ter bastante respostas”, argumenta.

Antes das filmagens, ator fez curso de sobrevivência

Para Caio Blat, participar do filme “Xingu”, sobre a vida dos irmãos Villas Boas, foi importante tanto para sua carreira quanto para sua vida pessoal. Ele conta que um padrinho seu, dentista, integrou um grupo de expedicionários que atendia os índios nos anos 1970. Ouvir as histórias sobre o Xingu, portanto, fez parte de sua infãncia. Quando recebeu o convite do diretor Cao Hamburguer, Caio não pensou duas vezes. “Foi um período muito longo de preparação e ensaios. Ficamos no Tocantis durante quatro meses trabalhando bastante e fizemos até um curso de sobrevivência na selva”, afirma.  O elenco entrava na mata com os índios para caçar, pescar e fazer trilha. “Foi um trabalho fascinante e posso dizer que foi o filme mais importante, pela dimensão histórica e também artística”, comenta.

Foto: Matheus Urenha / A Cidade

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