Caminhoneiros solicitam presença imediata de autoridades em bloqueio

O bloqueio das rodovias BR-158 e MT-242, no distrito de Estrela do Araguaia (Posto da Mata), está gerando animosidade entre caminhoneiros parados e os moradores que se recusam a sair das terras e tentam chamar a atenção das autoridades fechando as estradas.

Os motoristas denunciam que estão sofrendo ameaças e estão sendo mantidos como ‘reféns’ em uma espécie de ‘cárcere privado’ em plena estrada. Após assembleia dos moradores em piquete deliberar que o tráfego não será liberado, os motoristas resolveram dar meia volta e deixar a região em conflito pelo caminho que vieram.

“Eles escutaram nós falar que nós íamos sair daqui e eles, com um galão de gasolina, falaram que quem tentar sair vão ‘tocar’ fogo no caminhão. Então nós estamos de reféns deles aqui”, declarou um dos caminhoneiros quando o clima esquentou.

“Por que é que a Polícia Rodoviária Federal não está aqui na rodovia?”, questiona o motorista João Ferreira da Silva. “O caminhoneiro toda a vida é massacrado, qualquer coisinha estão bloqueando os caminhoneiros, então nós queremos a presença da polícia aqui. Os assentados aqui, eles querem conflito, não querem diminuir conflito e nós não queremos conflito”, completou.

Por outro lado, uma das líderes do movimento de resistência à desintrusão, Sandra Rocha, nega qualquer tipo de ameaça ou supressão de direitos contra os caminhoneiros. “Em nenhum momento queremos briga, estamos aguardado o resultado da reunião em Brasília, da bancada mato-grossense com o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Se o resultado for favorável abrimos [a rodovia], senão faremos outra assembleia para decidir”, assegurou.

Sobre as supostas ameaças de destruir pontes e queimar caminhões, Sandra declarou que ninguém tem essa intenção, mas afirmou que não pode se responsabilizar por atitudes que terceiros possam vir a tomar. O mesmo vale para os caminhoneiros, segundo ela. Se houver qualquer tumulto provocado por eles, “ai eu tiro meu time de campo”.

A liderança adiantou também que a reunião em Brasília teria provável resultado favorável à causa dos não-índios, pois assim davam conta as últimas informações recebidas pelo locais. Ainda esta noite, anunciou, ela espera ter mais notícias.

Até esta terça-feira (11), os motoristas se mostravam em acordo com a forma de protesto dos moradores de Suiá Missú, uma vez que aberturas periódicas permitiam o fluxo das cargas. Porém, o diálogo com os líderes da resistência ficou mais complicado e as informações sobre a possibilidade de novas aberturas das pistas são vagas.

A última liberação das pistas por parte dos manifestantes foi no sábado das 16h às 20h e os caminhoneiros correm risco de perder cargas e prazos.

Neste ínterim, caminhões de gado desistiram de esperar por uma abertura e retornaram para seus pontos de partida para não maltratar os animais. Houve pelo menos uma morte de vaca, avaliada em R$ 1,2 mil, desde a última abertura permitida nas rodovias.

Os caminhoneiros desconfiam de que os manifestantes estejam de fato querendo que eles percam a cabeça para que, assim, tenham motivo para incendiarem algum veículo e chamar ainda mais atenção das autoridades em Brasília para a pendenga de Suiá Missú, cujas terras estão sendo agora devolvidas aos xavantes após um processo judicial com mais de década.

“Mas nós não vamos partir para a briga. Somos trabalhadores”, garante o motorista Moisés Rodrigues Munhoz, 49, parado com sua carreta desde a noite de domingo.

Só de um lado da BR-158 há pelo menos 6 caminhões do frigorífico JBS Friboi parados com cargas de, no mínimo, 28 toneladas de carne (R$ 172 mil) cada.

“Eles estão tirando sarro da gente”, revolta-se Vagner Rudi de Oliveira, 29 anos, ansioso para poder passar pelo bloqueio para poder ver sua esposa, que deu à luz num hospital em Cuiabá e, devido ao nervosismo de saber que o marido estava em zona de confronto, ficou nervosa e ainda não saiu dos cuidados médicos.

“Nós entendemos o que está acontecendo, mas não temos nada a ver com isso!”, desabafa o condutor Rogério Luis Batista, 34 anos, que saiu de Confresa e teria de estar ainda nesta terça-feira descarregando os produtos no Rio de Janeiro.

Ele se preocupa com a disponibilidade de óleo diesel em Posto da Mata para manter o sistema de refrigeração funcionando no caminhão. E se irrita quando lembra que o bloqueio em Suiá Missú já o deixou no limite do prazo concedido pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura.

Este prazo vence amanhã e, ao vencer, toda a mercadoria é descartada. “Não é assim que as coisas funcionam, gente! Não se resolve um problema criando outro em cima dele porque aí são dois problemas”

Clima esquenta após assembleia

Os líderes da resistência à desintrusão se reuniram no final da tarde de hoje e deliberaram por não abrir as rodovias. O clima esquentou entre os dois lados e os mais exaltados já falam em queimar pontes e caminhões para fazer reverberar a situação. “Você sabe que muita coisa acontece de noite, né?”, teria dito um dos líderes dos bloqueios a um caminhoneiro.

Durante a assembleia, o caminhoneiro Nelton Simon, 35 anos, chegou a pedir a palavra para argumentar pela liberação das pistas. “Mas não deixaram, disseram que não porque era hora da oração e já me tiraram de lá do meio pelo braço, com um cara atrás de mim segurando um pedaço de pau”, reclama o motorista, assustado.

A total ausência de fiscalização e policiamento aumenta a temperatura no local. Nenhuma autoridade está presente no local para controlar o bloqueio e os ânimos dos envolvidos. A última liberação do tráfego foi feita no sábado e a circulação ficou permitida apenas das 18h às 20h.

Lucas Bólico e Renê Dióz olhar21.

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