CANARANA: Cemitério enfrenta sérios problemas estruturais

A reportagem do Jornal Folha foi procurada por munícipes durante o início desta semana que estão preocupados com a atual situação do cemitério municipal e verificamos não existir mais ruas para acesso aos túmulos, nem tampouco controle dos sepultamentos.

Túmulos estão sendo feitos em cima de onde já existem outros mais antigos, e onde foram feitos sepultamentos diretamente em covas estão sendo feitas novas carneiras por cima das que já existem, outra dificuldade apontada pelas pessoas que lá trabalham é quanto a limpeza pois não existe zelador no local.

Outra dura realidade apontada é que não existem mais locais disponíveis para novos sepultamentos e o que está acontecendo são as empresas do setor funerário estarem reaproveitando locais onde já existem covas ou não existem mais cruzes, portanto não sinalizadas e realizando sepultamento sobre as mesmas.

As empresas do setor não possuem local próprio para armazenamento dos materiais utilizados para os sepultamentos e isso segundo eles proporciona a ação de larápios que roubam os materiais ou de vândalos que por falta de segurança no local que se encontra aberto 24 horas do dia e por não possuir iluminação á noite é utilizado também por usuários de entorpecentes e segundo alguns relatos para “namoros”.

A falta de água durante o período de estiagem também é apontada como um problema a mais já que a caixa de água existente no local está desativada há muitos anos, trazendo sérios problemas para a confecção de novas carneiras.

 

O Prefeito Municipal de Canarana Fabio Faria falou a respeito da atual situação do Cemitério Municipal: Estamos estudando viabilizar a abertura de uma licitação para a construção de um novo cemitério

“Justamente, é um problema que vem se arrastando há anos e agora a cada dia que passa extrapola os seus limites, porém nós já fomos procurados por empresas do ramo funerário que possuem o intuito de montarem um cemitério particular  e nós estamos estudando essa viabilização deste cemitério onde que nós deveremos abrir em breve uma licitação para que as empresas se habilitem para a construção pois viabilizar uma construção destas é bem complicado e requer o cumprimento de algumas normas, mas é claro que vamos estabelecer todo um critério quanto aos preços, e quem fizer a melhor proposta com preços acessíveis, pois sabemos que há pessoas carentes que necessitam de atendimento que atinja então a todos, por mais que o cemitério seja da iniciativa particular as empresas terão o compromisso de realizar sepultamentos que ofertam atingir quem possui uma renda mais baixa, porém é claro que quem pode pagar mais e quiser realizar o sepultamento em uma condição melhor ele terá o serviço disponível, mas também vai ter o mínimo para atender as pessoas de todas as classes e a todas as situações adversas a qual passamos no caso de indigentes e pessoas sem famílias onde que a prefeitura fica com a responsabilidade, então devemos abrir a licitação para a construção de um novo cemitério”. Reportagem Jornal Folha Araguaia.

OS CEMITÉRIOS E OS PRINCIPAIS IMPACTOS AMBIENTAIS

Os cemitérios tradicionais e seus problemas atuais

 

Os cemitérios são considerados fontes poluidoras a maioria foram construídos sem qualquer preocupação de revestimento da camada inferior do solo para que o necro chorume liberado na decomposição dos corpos não atinja o solo e aquífero subterrâneo.

A contaminação por necro chorume pode ser pelo aumento da carga orgânica no meio ambiente, que desencadeia uma série de alterações prejudiciais à harmonia do ecossistema, ou pode ser ainda pela disseminação de microrganismos patogênicos como vírus e bactérias.

Por ser mais denso que a água, o necro chorume quando atinge o aquífero subterrâneo migra para sua parte inferior até atingir a camada impermeável. A partir daí parte dele pode seguir o fluxo da água ou pode escoar por gravidade sobre o substrato impermeável do aquífero. Esta contaminação do aquífero é mais problemática de ser remediada já que geralmente encontra-se a grandes profundidades. Além disto, para descontaminar o aquífero é necessário a construção de barreiras hidráulicas para retirar a água contaminada, de forma que o tratamento da mesma ocorra êxito, reduzindo a carga hidráulica do aquífero. Quando o necro chorume atinge o aquífero subterrâneo é carreado para locais mais distantes.

Se o necro chorume ao chegar no aquífero, ainda contiver contaminante, o manancial estará comprometido. Vírus e bactérias mais resistentes contaminam a água e a tornam imprópria para consumo humano. Para isto é imprescindível o conhecimento profundo dos mesmos.

Por outro lado, estudos relatados confirmam locais onde a pluma de contaminação diminui rapidamente com a distância da sepultura, provavelmente pela degradação biológica feita pelos microrganismos presentes no solo. Na Holanda, outro estudo indicou grandes plumas com altas concentrações de cloreto, sulfato e bicarbonato abaixo das sepulturas. Nenhuma informação foi dada sobre o tipo de solos desses estudos.

No cemitério de Botânica na Austrália foram medidos aumentos na condutividade elétrica ou salinidade próximo de sepulturas recentes. Foram encontradas também elevadas concentrações de íons de cloreto, nitrato, nitrito, amônia, fosfato, ferro, sódio, potássio e magnésio abaixo do cemitério, no solo e também no lençol freático. A água subterrânea foi considerada adequada para fins de irrigação, conforme especificado nos critérios da qualidade das águas australianas.

Em três cemitérios de São Paulo e Santos – Brasil foi constatada a contaminação do aquífero subterrâneo por microrganismos como coliformes totais e termo tolerantes, estreptococos fecais, clostrídios sulfito redutores e outros – oriundos da decomposição dos corpos sepultados por inumação no solo.

A pesquisa de maior impacto sobre contaminação de águas subterrâneas por cemitério no Brasil é de PACHECO et al. (1991) que estudou três cemitérios dos municípios de São Paulo e de Santos e constatou a contaminação do lençol freático por microrganismos – coliformes totais, coliformes fecais, estreptococos fecais, clostrídios sulfito redutores e outros – oriundos da decomposição dos corpos sepultados por inumação no solo.

O risco de contaminação microbiológica com a construção de cemitérios em meio urbano é presumível. A água subterrânea é mais atingida pela contaminação por vírus e bactérias. Nascentes naturais ou poços rasos conectados ao aquífero contaminado podem transmitir doenças de veiculação hídrica como tétano, gangrena gasosa, infecção alimentar, tuberculose, febre tifoide, febre paratifoide, vírus da hepatite A, dentre outros (LOPES, [2001). A população carente e de baixa renda está mais propícia a ser infectada por essas doenças. Geralmente vivem em regiões onde não existe acesso à rede pública de água potável e possuem sistema imunológico natural baixo.

De todas as contaminações provocadas pelos cemitérios, os maiores problemas estão relacionados ao vírus, devido sua grande capacidade de sobrevivência, mobilidade, adaptação ao meio adverso, mutação e permeação através até de meios semipermeáveis. Foram encontrados vetores de contaminantes de vírus em lençol freático há quilômetros de distância dos cemitérios. Os vetores ainda poderiam causar problemas à saúde da população desavisada que ingerisse a água contaminada. Fonte: todasfunerarias.com.br

 

Fonte:REPORTAGEM: JORNAL FOLHA DO ARAGUAIA

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