CANARANA: Mãe faz visitas a bebê indígena em abrigo

A bebê indígena, enterrada viva pela avó e bisavó e resgatada por policiais militares, tem recebido visitas diárias da mãe, uma adolescente de 15 anos, desde que a criança recebeu alta da Santa Casa da Misericórdia em Cuiabá e foi para um abrigo em Canarana (838 km de Cuiabá),  em 11 de julho.

A informação é do vice-presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Xingu (DSEI Xingu), Ayato Uikuikuro, e, segundo ele, as visitas são autorizadas pela Justiça.

A mãe vai ao abrigo, amamenta, dá banho e carinho à filha que está bem de saúde e vai completar 3 meses no próximo em 6 de setembro. “A mãe foi obrigada a deixar a criança em abrigo por determinação da Justiça e os cuidados dela com a menina têm auxiliado na recuperação da criança”, comenta Uikuikuro. “A menina está bem assistida, foi vacina, está tudo bem”, garante.

Conforme apurou a reportagem do , a mãe da menina não é a única a visitar a bebê. A avó, Tapoalu Kamayura, 33 anos, acusada de participação na tentativa de matar a criança soterrada e, por isto, está sendo monitorada por tornozeleira eletrônica também estaria visitando a menina, como informa Ayato. “Elas são acompanhadas por uma assistente social e representante da Funai”.

O pai da criança, um indígena casado com outra mulher, e a família dele também já estiveram no abrigo para vê-la. “Eles moram na aldeia, mas quando estiveram em Canarana por cerca de um mês foram todos os dias ao abrigo”, afirma o vice-presidente do DSEI. “Apenas a bisavó não foi ver a menina porque está presa na Coordenação Regional do Xingu”, revela.

O promotor de Justiça Matheus Pavão de Oliveira, que cuida do caso, nega que haja visita de outros parentes. Ao saber que a avó estaria indo ao abrigo, ele questionou a direção do abrigo, que disse que as visitas da avó nunca aconteceram. “Inclusive uma das condições da liberdade provisória é justamente não ter contato com a menina”, ressalta o promotor. Se ele verificar o descumprimento da medida, a avó deve ser detida novamente. “Já a mãe tem visitado regularmente a criança. Isso foi autorizado pelo juiz e teve parecer favorável do MP”, confirma.

Quanto à guarda da bebê, um estudo antropológico foi solicitado ao Ministério Público Federal, mas ainda não foi finalizado e o promotor informa que um exame de DNA para comprovar a paternidade foi pedido pelo MP e autorizado pelo juiz. “Estamos aguardando o exame de DNA para eu me manifestar quanto à guarda”, diz o promotor.

http://www.rdnews.com.br/cidades/conteudos/104471

Responder

comment-avatar

*

*