CANARANA: Suely Pirani conta como enfrentou a leucemia


Suely Aparecida Catalani Pirani tem hoje 49 anos

Suely Aparecida Catalani Pirani, 49 anos, casada há 26 anos com José de Jesus Vasconcellos Pirani. Mãe de dois filhos: Lucas Catalani Pirani e Mateus Catalani Pirani. Natural de Jose Bonifácio/SP, moradora de Canarana há 26 anos. Formada em Letras com Pós-graduação em Psicopedagogia e Fundamentos Jurídicos. Há alguns anos trabalha em cerimonial de eventos, mas, antes disso, passou por uma grave doença, a leucemia. Suely concedeu entrevista ao J. O Pioneiro e conta como foi enfrentar e vencer essa doença.OP – Há alguns anos você enfrentou uma luta contra a Leucemia. O tratamento já está encerrado?
SUELY – Trata-se de uma patologia crônica e, graças a Deus, está controlada com o uso de medicamentos e faço controles genéticos periódicos em São Paulo e em Curitiba. Os médicos dizem que este tipo de tratamento é constante, haja vista que não consegui o transplante e a solução é tentar controlar por medicamento. Felizmente estou sendo bem sucedida com o tratamento atual que venho recebendo e com as bênçãos de DEUS.

JOP – Como foi a sua reação e da sua família quando recebeu a notícia?
SUELY – Ficamos todos muito chocados, pois não conhecíamos nada a respeito e eu, até então, era uma pessoa muito saudável. Quando se recebe uma noticia dessas você fica sem chão. Passam muitas coisas em sua cabeça. A força dos amigos e da família foi fundamental nesse momento. Eu e meu marido choramos juntos, mas também oramos juntos para Deus nortear nossos passos.

JOP – Chegou a pensar que não iria sobreviver?
SUELY – A princípio sim, foi um choque. Lembro-me como se fosse hoje, do médico dando-me friamente uma sentença muito dura. Dizendo que precisava urgentemente de um transplante de medula óssea e já alertando que era um procedimento de alto risco. Isso se encontrasse um doador compatível. Fizemos teste com a família, sem sucesso. E aqui em Canarana muitas pessoas se mobilizaram em campanhas e prontificaram a ajudar fazendo o teste de compatibilidade. Porém nunca encontramos um doador compatível.

JOP – Como foi o tratamento?
SUELY – O tratamento foi intenso! No inicio o tratamento era terrível, eu fazia uso de medicamentos muito agressivos, com efeitos colaterais muito fortes. Entre outros, dores, enjoos, perda de peso, queda dos cabelos, baixa resistência. Para você ter uma idéia não tinha força nem para carregar minha bolsa. Eu e minha família sofremos muito com tudo isso.

JOP – O que mais te dava força durante o tratamento?
SUELY – O que mais me dava força no tratamento era o amor incondicional de meu marido, meus filhos, de minha mãe, enfim, de toda minha família e dos meus amigos maravilhosos.
Eu sabia que muitas pessoas aqui de Canarana, mesmo quem não me conhecia, oravam por mim e torciam pela minha recuperação, isso me enchia de energia. Eu sempre tive muita fé em Deus e queria viver, tinha um sonho de ver os meus filhos, que na época eram crianças, se tornarem rapazes e se formarem. Deus foi muito bom comigo e hoje já temos um filho engenheiro civil e o caçula no quinto ano de direito. Aproveito a oportunidade para agradecer a todos pelo carinho, pela amizade e pela força! A ajuda de cada um de vocês foi e continua sendo muito importante para mim. Obrigada de coração!

JOP – O que muda na vida de uma pessoa sobreviver a uma doença como essa?
SUELY – Acho que uma das grandes lições é valorizar mais a vida, valorizar mais as pessoas que nos amam e saber distinguir o que realmente importa na vida! A importância de viver e fazer o bem a quem você puder, sempre! Cada momento é único em nossas vidas! E por isso deve ser aproveitado! Também é fundamental acreditar e ter fé em Deus! Nunca se entregar seja qual for o obstáculo encontrado. Com Deus na frente, vencemos! Vencemos também as incapacidades que a doença às vezes nos traz.JOP – O que você diria para uma pessoa que está passando por um grave problema de saúde?
SUELY – Eu diria para ter fé, acreditar em Deus e não se entregar para a doença! Ela pode até ser grande, mas a nossa fé deve ser sempre Maior! A medicina está cada vez mais evoluída e tem encontrado saída para muitas patologias graves. Portanto, é preciso ir em busca de tratamento, jamais desistir, persistir em seus ideais e acreditar em seus sonhos. Diria também para procurar ter sono regular, cuidar da alimentação, evitar bebiba alcoólica e procurar ficar de bem com a vida mesmo na dificuldade. Tem estudos científicos que provam que o bom humor e a alegria contribuem em muito na recuperação de enfermidades.

JOP – Qual o maior desafio para quem precisa da saúde publica no Brasil?
SUELY – Infelizmente, a Saúde Pública ainda tem muito a avançar! A falta de médicos, leitos hospitalares, exames e medicamentos à disposição da população tornam-nos vulneráveis e inseguros. Evoluímos em parte, com os centros de tratamento de câncer pelo Brasil. Hoje, uso medicamento de alto custo fornecido pelo SUS e todos os pacientes com a minha patologia tem esse direito garantido pela legislação.

JOP – Começou a trabalhar em eventos depois de enfrentar a doença?
SUELY – Foi uma alternativa que surgiu, pois sempre gostei muito da parte de comunicação e já trabalhava com isso voluntariamente e em função da procura me especializei. Penso que uma atividade é muito importante para nos manter ativos e trabalhar com eventos me gratifica muito, pois compartilho a alegria com minhas noivas, minhas debutantes e meus formandos. É uma troca de energia positiva muito grande. Isso também tem me ajudado a superar os meus problemas de saúde! Coloco muito amor em meu trabalho, talvez esse seja o grande diferencial!

JOP – Quais os tipos de evento em que você mais gosta de trabalhar?
SUELY – Na verdade gosto de trabalhar com todo tipo de evento, pois cada um tem sua característica peculiar. Por exemplo, uma inauguração tem gosto de desenvolvimento para o município, já uma formatura é uma festa cheia de emoção do começo ao fim, além de elevar o nível intelectual da cidade. Os casamentos são românticos e formam novas famílias que são a base da sociedade. As festas de quinze anos são um sonho que ajudo as debutantes realizar.
E em todos nasce uma amizade e um carinho que torna a função mais gratificante ainda!

JOP – Mais alguma colocação?
SUELY – Quero agradecer a você, Rafael Govari, e ao Jornal Pioneiro pelo convite e por esse momento especial. Espero estar contribuindo de alguma maneira, com meu depoimento, principalmente com as pessoas que estão passando por algum problema semelhante ao meu.
Gostaria de dizer ainda que a vida é cheia de surpresas, algumas boas, outras nem tanto e o único jeito de estar preparado para enfrentá-las é acreditar e segurar nas mãos de Deus!  Vamos tentar, a força está dentro de cada um!

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