Cao Hamburger narra a aventura humanista dos irmãos Villas Bôas pela região do Xingu

A tribo já assistiu ao filme e aprovou. Agora, estreia dia 6 nos cinemas de todo o país
Beatriz Lefèvre/Divulgação
João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat interpretam respectivamente os irmãos Cláudio, Orlando e Leonardo Villas Bôas
Estrelado por João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat, Xingu – O filme chega aos cinemas dia 6. O relato biográfico narra a saga dos irmãos Orlando (1914–2002), Cláudio (1916–1998) e Leonardo Vilas Bôas (1918–1961), começando em 1943, com a expedição Roncador-Xingu. Depois de retratar anos de luta dos irmãos pela preservação da cultura e região indígenas, termina na criação do Parque Nacionaldo Xingu, que, em 2011, passou a ser administrado pelos próprios índios.
Foram três anos de pesquisa até que o roteiro ficasse pronto e o elenco começasse a ser escalado. “Há alguns livros, poucos e superficiais. Então, tivemos que fazer uma pesquisa muito grande. Começou em São Paulo, mas decidi logo ter o ponto de vista de quem é do Xingu, quem estava lá e viu os caras chegando na canoa. Fui lá algumas vezes e passamos dias conversando muito com os povos de lá”, conta o diretor, Cao Hamburger.
Pesquisa
O cineasta afirma que o longa-metragem traz relatos que condizem sim com a realidade, mas não garante fidelidade aos fatos. “A gente baseia a história em personagens reais, mas para construir uma história com começo, meio e fim tem que ficcionar muito”, pondera. “Tem mais do que a gente quis dizer do que aconteceu de fato. Foi tudo baseado em histórias que ouvimos. Se existiu de fato é impossível saber.”
O resultado desse processo foi reunir no elenco, além dos atores profissionais, vários índios nativos do parque. Para isso foram todos convidados e, entre os inscritos, realizados testes de vídeo. Os selecionados passaram por oficinas de interpretação e preparação de atores. “O filme tem três protagonistas brancos, mas os personagens principais são os índios”, ressalta o ator João Miguel, que interpreta Cláudio Villas Bôas. “Alguns deles nunca tinham visto homens brancos.”
O índio Tabata Kuikuro, cacique da tribo cuicuro, garante que a experiência foi “muito legal”. Sem se apegar ao trabalho de ator, ao qual já está acostumado – ele atuou na série Xingu, da Manchete, e concedeu diversas entrevistas à época –, o cacique foca na importância de a produção chegar aos cinemas. “O filme passou na aldeia e o povo indígena gostou”, garante. “Lembrou coisas tristes para nós, como a gripe e o sarampo, mas acho que é bom para vocês, brancos, verem como foi o começo do Xingu. Valeu a pena. Gostei muito e meu povo também.”
O2 Filmes/Divulgação
A equipe enfrentou calor, mata fechada e animais selvagens, mas todos dizem que valeu a pena
Ecologia 
Nos bastidores, um pouco de emoção foi bem-vinda. Uma das produtoras, Andrea Barata Ribeiro, conta que as filmagens, sempre externas, ocorriam sob um calor constante de mais de 40 graus. “ No Jalapão, a pessoa que abria o set era um rastreador de cobras. Em outra locação, um dia, o diretor de fotografia deu de cara com uma onça”, lembra.
Apesar das adversidades, toda a equipe do filme se dizia encantada com a aventura. Além da preservação da memória dos Villas Bôas, registro histórico da criação do Parque Nacional do Xingu e a relevância de colocar os índios na pauta das discussões, o longa trouxe à tona outra questão muito citada pelos atores e diretor: a preservação ambiental.
“Algo fundamental para a manutenção da cultura desses índios e para se manter o espaço é o que eles chamam de supermercado, que é o rio”, explica o ator Felipe Camargo, que vive Orlando Villas Bôas. “Os três afluentes do Xingu estão fora de lá, em terras que pertencem a outras pessoas. É com essa água que eles alimentam a própria terra em que vão plantar e colher. Se esses rios não forem tratados e preservados, o Xingu estará em vias de se tornar em extinção com o tempo.” O índio Tabata Kuikuro concorda objetivamente: “Vai acabar o peixe”.
* A repórter viajou a convite da produtora O2 Filmes

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