Casal deixa restaurante no entroncamento de Canarana por ameaça de índios

O casal Mônica e Alaercio morava há seis anos no entroncamento da BR-158 com a MT-326, que dá acesso a Canarana, a cerca de 37 km da cidade. Lá eles cuidavam de um restaurante onde antigamente tinha um posto de combustível. Servia como ponto de apoio principalmente para caminhoneiros.

Porém, no final do mês de agosto passado, o casal teve que abandonar o local. Eles se sentiram ameaçados por índios da etnia Xavante que moram em uma aldeia na região da Matinha, interior de Canarana. Preferiram não esperar pra ver o que poderia acontecer e resolveram deixar tudo para trás.

 O CASO

No dia 04/Ago, um cadáver em estado avançado de decomposição foi encontrado às margens da BR-158, próximo ao entroncamento com a MT-326. Até o momento não se sabe a identidade da vítima, apenas que ela estava com as duas pernas quebradas.

Segundo os xavantes, informou a Polícia Civil, o cadáver encontrado se tratava de um índio que estava desaparecido há alguns dias, quando saiu da aldeia para fazer uma viagem e não deu mais notícias. Até então eles não tinham feito registro do sumiço.

Conforme informações da Polícia Civil, ainda não se tem a identidade do cadáver encontrado. Material da vítima e de dois supostos filhos do mesmo foram enviados para confronto de DNA. O resultado ainda não está pronto.

Provavelmente se trata do índio e provavelmente tenha sido atropelado, mas não se tem testemunhas. O suposto veículo pode ser de alguém de outro estado, sendo praticamente impossível a sua identificação.

 AMEAÇAS

No dia 07/Ago, conforme informações da Polícia Civil, em torno de 15 índios xavantes, pintados e armados com arco, flecha e burduna, invadiram a Delegacia de Polícia, ameaçando policiais que ali se encontravam e querendo fazer refém o delegado que respondia na ocasião.

Garantiam que o irmão deles tinha sido atropelado e exigiam que a polícia prendesse o motorista que cometeu o atropelamento, que ninguém sabe se existe e quem seria.

Servidores da DEPOL de Canarana somente não foram levados como reféns porque argumentaram que se isso ocorresse, o trabalho investigatório ficaria prejudicado e a prisão do culpado ficaria comprometida.

No dia 15/Ago, desta vez em torno de 20 índios, invadiram novamente a DEPOL, fazendo novas exigências e ameaças.

Além dos policiais, o casal que cuidava do restaurante também foi ameaçado. Segundo um dos investigadores da DEPOL, um cacique disse que sonhou que o casal do restaurante tinha dado remédio para o índio, tendo sido esta a causa, segundo o cacique, do mesmo ter sido atropelado.

Ainda segundo a PC, os índios também alegaram que o casal saberia quem teria atropelado a vítima. Por conta disso começaram a pressionar a polícia para que prendesse a ambos e indiretamente passaram a ameaçar os donos do restaurante dizendo que iriam linchá-los.

 MÔNICA

No final do mês passado o casal deixou o restaurante e foi morar de favor em uma roça no interior do Município até decidirem o que fazer da vida.

Em contato telefônico com a proprietária do restaurante, Mônica disse que não vendiam bebida alcoólica justamente para evitar confusão. Disse que nunca deram remédio para índio e que não presenciaram nenhum atropelamento, nem sabiam que havia um cadáver nas proximidades.

Não sabemos o que vamos fazer da nossa vida, mas para lá eu não volto mais disse Mônica, que não se sentia segura diante das ameaças.

DELEGADO

O delegado de Canarana, Dr. João Biffe Junior, falou que Mônica registrou ocorrência de ameaça na DEPOL. Também falou que era muito difícil a polícia conseguir dar segurança para o casal quando acionada, devido à distância ;No mínimo seriam 20 minutos para chegar até lá falou. O mais sensato era sair de lá.

 OUTROS CASOS

Um dos casos recentes envolvendo ameaça de índios na região foi no ano passado, quando xavantes trancaram a BR-158 e ameaçaram invadir o fórum de Nova Xavantina quando um índio foi preso dirigindo com sintomas de embriaguez, carro com chassi adulterado, registro de furto e roubo, e portando munição. A pressão funcionou e o indígena foi solto, abrindo precedentes para casos semelhantes.

 OUTRO LADO

O J. O Pioneiro entrou em contato com a FUNAI de Barra do Garças, porém o coordenador disse que qualquer pronunciamento deve ser feito através da assessoria de comunicação da fundação e até o fechamento desta edição não havia ocorrido o retorno do e-mail enviado.

Fonte: Querência em Foco com Jornal O.P

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