Chuva ainda é variável que produtores não controlam no campo

Quinze quilômetros e 80 milímetros separam propriedades com e sem semeadura de soja. Ascom Aprosoja

Dentre todas as circunstâncias que influenciam o cultivo do campo, o clima continua a ser aquela variável que o produtor não pode controlar. Hectares e mais hectares sem chuvas aguardam pelos primeiros milímetros significativos. As máquinas estão paradas à beira da lavoura, o solo está protegido pela cobertura da safra anterior e os funcionários andam impacientes pela propriedade. A água não vem na altura do quilômetro 325 da BR-364.

Enquanto os 300 hectares, ao lado direito da rodovia, sentido Cuiabá-Rondonópolis, esperam a chuva, pouco mais a frente, ao lado esquerdo da mesma via, a chuva cai sem economia. A lavoura já está germinando e a totalidade dos 760 hectares da propriedade já foi semeada. Se uma distância de apenas 15 quilômetros separam as propriedades, 80 milímetros de água fazem toda a diferença na vida dos dois produtores rurais.

Na fazenda Estância Retiro “a bala está no gatilho”. Os maquinários foram adquiridos há um ano, o operador possui curso de agricultura de alta precisão, as análises de solo foram feitas em taxa variável e a empresa conta com as instruções de uma consultoria, mas a água não cai. Segundo Ismael Rendges, funcionário da propriedade, menos de 20 milímetros de chuva molhou a terra. Nem mesmo a palhada do milho segunda safra teve umidade suficiente para germinar, a terra seca não tem condições de receber a semente de soja.

Já na Fazenda da Torre, a primeira chuva caiu há mais de 20 dias e os primeiros hectares de soja de ciclo curto foram semeados em 1º de outubro. Cinco dias depois, foi a vez da soja de ciclo longo ganhar espaço na terra. Com o solo todo semeado, o gerente da propriedade, Edgar Gustavo, tem humor para soltar um comentário, com ponta de sarcasmo, durante a entrevista. “Vocês estão falando em falta de chuva, presta atenção nesse barulho”, enquanto o teto de zinco tintila com as gotas de água que começam a cair.

Os mesmo ventos sopram nas duas fazendas e ambas apostam em uma produção com alto padrão tecnológico, mas o produtor ainda precisa confiar e esperar o prêmio da chuva, que ao acaso, escolhe os talhões de terra.

Circuito Tecnológico – As duas propriedades foram visitadas nesta segunda (21), durante a segunda semana de atividades do V Circuito Tecnológico, realizado pela Aprosoja em parceria com o Senar-MT. As oito equipes formadas por técnicos, pesquisadores e estudantes estão percorrendo aleatoriamente propriedades das regiões Sul e Leste de Mato Grosso. O Circuito Tecnológico tem patrocínio da Basf, Bayer e Dow Agrosciences.

 

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