Chuva diminui e oferece riscos à supersafra de milho em Mato Grosso

Estado estima colher nesta safra 11 milhões de toneladas de milho.
Mas resultado vai depender do clima e boa regularidade de chuvas.

(Foto: Reprodução/TV Morena)

Com tempo aberto na maior parte das regiões de Mato Grosso e diminuição considerável no volume de chuva, o mês de maio começou dando sinais que poucas serão as precipitações. Se as previsões da meteorologia estiverem corretas, a partir de agora tem início também a fase considerada como a mais seca no Centro-Oeste brasileiro. Risco para as lavouras de milho que ainda dependem de regularidade para garantir uma safra 100% cheia e estimada em mais de 11,7 milhões de toneladas, crescimento de 67,8% perante 2010/11.

Produtores do estado afirmam que em alguns pontos as chuvas já se tornaram escassas. Em Sapezal, a 473 quilômetros de Cuiabá, o volume reduziu consideravelmente nos últimos dias, pontua José Guarino, presidente do Sindicato Rural. “As chuvas estão localizadas. Por mais que tenham ocorrido nos últimos dias, o milho, mesmo depois do grão formado, se cessarem as chuvas haverá má formação do grão e perdas. Uma diferença muito grande”, destacou o sindicalista e também produtor rural.

A cidade, que nesta safra plantou 110 mil hectares, ainda precisa de chuvas para assegurar a produção do cereal em pelo menos metade das lavouras. “Acredito que 50% têm que tomar chuva. A situação não está tão confortável”, pontuou Guarino. Se as chuvas mantiverem-se frequentes os produtores esperam atingir até 75 sacas por hectare. Sem elas, podem acumular perdas na ordem de 10% a 20%.

A realidade é semelhante à de Lucas do Rio Verde, distante 360 quilômetros de Cuiabá. De acordo com o vice-presidente do Sindicato Rural, Carlos Simon, a oferta de chuva não está mais regular. “Está diminuindo o volume de chuvas. Representa um risco, aumento de perdas. Em nosso município parte das lavouras já se formou a espiga. Mas em pelo menos 30% a 40% ainda dependem”, considerou, em entrevista ao G1. A cidade plantou nesta temporada 160 mil hectares.

Climatologia
Conforme explica José Felipe Farias, meteorologista do CPTEC/Inpe, a previsão de chuvas para o mês de maio ainda se mantém dentro da média, embora não se tenha como afirmar a qual volume chegará, por exemplo.

“Em maio há uma queda no volume de chuvas em todo o estado. Este ano a previsão de chuva para este mês está dentro da média, mas agora já começa uma fase mais seca no Centro-Oeste, em Mato Grosso. As temperaturas ficam mais elevadas, a nebulosidade diminui, bem como a chuva, e a persistência do tempo seco é propício à formação de queimadas”, explicou o meteorologista.

Para os próximos três meses, o volume de chuvas em Mato Grosso pode variar de 50 milímetros a pouco mais de 200 milímetros, indica o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De acordo com o Instituto, produtores podem esperar menos chuvas em regiões como o Araguaia – de 25 milímetros a 50 milímetros. Somente nesta região, a semeadura do cereal atingiu 126,6 mil hectares, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária.

Se a previsão se consolidar, o extremo Noroeste do estado pode registrar o maior acumulado entre maio e julho, indica o Inmet: até 200 milímetros. A região plantou 67,8 mil hectares nesta safra.

Especificamente para o mês de maio, aponta o Instituto Nacional de Meterologia, baixo é o regime de chuvas esperado para o estado.

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