Cinco incêndios em Suiá-Missu são criminosos, diz IBAMA

Trabalho de combate ao fogo tem reforço de policiais militares. Perícia constatou que, de 17 incêndios, cinco foram criminosos e dois provocados pelos próprios índios.

Foram identificados por peritos do Centro Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevfogo), ligado ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cinco incêndios criminosos na terra indígena Marãiwatsédé, no município de Alto Boa Vista, a 1.064 km de Cuiabá. O coordenador nacional do Prevfogo, Rodrigo de Moraes Falleiro, disse nesta quinta-feira (5) que voltaram a surgir mais focos de queimadas na região. No mês passado, o fogo destruiu cerca de 160 mil hectares da terra indígena.
Para garantir a segurança dos 40 brigadistas do Ibama que atuam no combate às chamas , foi solicitado reforço de agentes da Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso. Até as 15h [horário de Mato Grosso] ninguém havia sido preso. Segundo Falleiro, foram encontrados pedaços de bambú com gasolina, que possivelmente teriam sido utilizados para atear fogo, configurando o crime, porém, ainda não foram identificados os responsáveis.
“A polícia está fazendo rondas para evitar novos incêndios. Também solicitamos o apoio da polícia porque os brigadistas estavam correndo risco, pois quando estavam tentando conter as chamas poderiam ficar ‘presos’ em meio ao fogo se fosse incendiada outra parte”, disse Falleiro ao G1. Ao todo, desde o mês passado, houve 17 incêndios na região que pertence aos índios da etnia xavante. O território foi integralmente desocupado no início deste ano após determinação da Justiça, que reconhecer a área como sendo pertencente aos indígenas e não aos agricultores que permaneceram no local por cerca de 20 anos.
Dois desses 17 incêndios foram provocados pelos próprios índios. Um ocorreu em uma área usada para o cultivo de verduras e legumes para a ‘queima da roça’ e outro durante a extração de mel na mata. A previsão é que os brigadistas permaneçam mais 10 dias, a contar desta quinta-feira (5), na região. Enquanto isso, está sendo feito trabalho de aceramento para evitar que, em caso de incêndio, o fogo se alastre.
Durante o processo de retirada de cerca de sete mil posseiros, o clima foi tenso na reserva indígena. Os moradores chegaram a bloquear por várias dias as rodovias federais e estaduais que dão acesso aos municípios da região. Recentemente, o Conselho Missionário Indigenista (Cimi) divulgou uma carta assinada pelo cacique Damião Paridzané, líder da comunidade xavante, e denunciou que os posseiros estariam invadindo as terras novamente, ocupando a área da antiga vila denominada Posto da Mata.
Marãiwatsédé
A reserva Marãiwatsédé foi demarcada em 1992, mas foi invadida por grandes e pequenos produtores rurais que alegavam deter direito de propriedade sobre lotes comercializados da área. No local, se formou a comunidade de Posto da Mata.
No cumprimento da ordem de despejo, com auxílio da Força Nacional de Segurança, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, o governo anunciou que assentaria os posseiros que se vissem em condição de sem terra após a retirada.Segundo informou o Incra nesta segunda-feira, está em curso o cadastramento das famílias retiradas de Marãiwatsédé aptas a receberem terras por meio do programa de reforma agrária. Até o momento, 270 famílias são consideradas aptas, mas o órgão apontou que muitas famílias não se enquadraram no perfil exigido na triagem e, por isso, ficaram de fora do programa. 
Pollyana Araújo Do G1 MT

 

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