Com mesma frota há 20 anos, Cuiabá tem um táxi para cada mil habitantes

Após o início das obras da Copa, aumentou demanda por táxi.
População cresceu quase 150 mil e frota continua a mesma de duas décadas.

Para chegar em um compromisso no horário marcado, os cuiabanos precisam se adiantar e chamar um táxi com bastante antecedência, já que com o passar dos tempos a espera se tornou cada vez maior. Parte desse problema é resultado da falta de aumento da frota, que é a mesma desde a implantação há 20 anos, conforme o presidente da Associação dos Taxistas do município, Abel Arruda.

Além disso, Cuiabá teve um aumento de quase 150 mil habitantes nas duas últimas décadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em meados dos anos 90, o município tinha 430.212 habitantes e, atualmente, esse número saltou para 569 mil. Com esse aumento populacional e uma frota de 604 veículos, o município dispõe de apenas um táxi para cada grupo de mil pessoas que vivem na capital.

O número descumpre uma lei que prevê a disponibilização de um táxi para cada 750 pessoas. “Existe uma deficiência muito grande de táxis, pois 604 veículos é o mesmo número que temos há 10 anos”, afirmou o presidente da entidade que representa os taxistas. Segundo ele, o assunto foi discutido recentemente em uma audiência pública com o prefeito da capital, Mauro Mendes (PSB). Existe a necessidade da criação de pelo menos mais de 80 permissões no município.

A situação se agravou ainda mais após o início das obras relacionadas à Copa do Mundo, na capital, pois muitos moradores passaram a deixar os carros na garagem e sair de táxi por conta das rotas alternativas. “As pessoas preferem deixar o carro em casa, porque os taxistas sabem dos desvios para conseguir ir em locais com menos fluxo de veículos”, contou Arruda. Para a execução das obras da Copa, inúmeras intervenções foram feitas no trânsito e os veículos estão tendo que passar por desvios, sendo que alguns deles dentro de bairros que ficavam fora da rota dos motoristas.

Na Copa do Mundo, em junho deste ano, a quantidade de táxis circulando nas ruas será a mesma. Entretanto, deverão ser disponibilizadas linhas exclusivas para a Arena Pantanal, estádio onde serão realizados os jogos. “Vai ser criada uma linha exclusiva para ônibus e outra para táxis”, explicou. Ele avalia que, com essa linha, o problema da falta de táxi deverá ser amenizado. Se for necessário, de acordo com Arruda, o governo deverá abrir uma exceção e permitir a circulação de mais táxis, por meio de um cadastro feito pelos taxistas.

Para o mundial, os taxistas estão tendo que se capacitar, com cursos de inglês e, por regra do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), são obrigados a fazerem aulas de primeiros socorros e direção defensiva.

Sem permissão
Em fevereiro deste ano, a Justiça determinou que a Prefeitura de Cuiabá anulasse todas as permissões para taxistas que atuam na capital. A decisão foi tomada com base em um pedido do Ministério Público Estadual (MPE), que defende a necessidade de licitar as permissões para o serviço. Segundo o MP, a lei considera o exercício do transporte individual de passageiros por táxi é um serviço público porque se destina a atender à coletividade e, desse modo, a atividade deveria ser autorizada pelo poder público.

Corrida cara
Recentemente, um levantamento feito pelo Bom Dia Brasil mostrou que Cuiabá possui corrida de táxi mais cara entre as 12 capitais que vão sediar os jogos da Copa neste ano. A bandeirada custa R$ 4,80 e, a cada quilômetro rodado, mais R$ 2,82. Pelo percurso de 10 quilômetros, o usuário paga R$ 33,80, enquanto em Recife, por exemplo, a mesma corrida ficaria R$ 23,50.

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