Comarca de Canarana recebe Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania

CANARANA – A Comarca de Canarana recebeu o 33º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc). Foi na manhã de sexta-feira, 18, na Câmara Municipal. O Cejusc local está situado no prédio do Juizado Especial.

Para o presidente da 19ª Subseção da OAB, Dr. Marcelo da Cunha Marinho, o Cejusc é a materialização de uma etapa de transformação que o judiciário está passando. “A gente sai daquela premissa que o poder judiciário seria apenas sentença, pois se busca agora mediação e conciliação… Mais vale um mau acordo do que uma boa demanda”, disse, acrescentando que hoje a justiça é multiportas, sendo que para cada conflito existe uma porta, seja através da mediação, da conciliação, ou processo judicial.

Hoje no Brasil são mais de 100 milhões de processos para pouco mais de 17 mil juízes e, por isso, a ação tem dia para entrar na justiça e não tem dia para sair, ou seja, ser julgado. O coordenador do Núcleo de Conciliação do Poder Judiciário Mato-grossense, juiz Hildebrando da Costa Marques, que já foi juiz em Canarana na década passada, disse que o poder judiciário está vivendo uma nova era. “A era em que os conflitos se resolvem por meio da mediação e da conciliação… A primeira onda foi democratizar o acesso ao poder judiciário; na segunda onda passou a se aplicar ações coletivas para andar mais depressa; a terceira onda é agora, que nós tratamos conflitos diferentes de formas diferentes, que são as multiportas”, colocou. Na sequencia o juiz falou aos mediadores e conciliadores que o maior mediador da história foi Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens, o exemplo a ser seguido.

Conforme o diretor do Foro de Canarana, juiz Alexandre Meinberg Ceroy, o Cejusc vai ajudar o trabalho da justiça e também a pacificação social em Canarana. “Nós queremos que a sociedade viva em paz e a instalação é mais um instrumento para que a gente consiga cumprir com a nossa função”, falou. Na sequência ele disse que infelizmente a formação jurídica no Brasil ensina a litigar. “Parece que hoje as pessoas estão arredias à conversa. Elas têm esse ímpeto litigante e nós precisamos mudar essa cultura. Hoje em qualquer curso de direito o que se ensina lá é litigar na justiça, não se ensina a resolver. Muitas coisas poderiam ser resolvidas em um simples telefonema”, colocou, acrescentando que quando há acordo, as duas partes saem satisfeitas, mas quando há decisão judicial não, pois sempre uma das partes vai sair desagradada.

No encerramento das falas, a vice-presidente do Tribunal de Justiça e presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos, desembargadora Clarice Claudino da Silva, falou que a técnica da mediação é consoladora, é construtiva. “Ela é perfeitamente adaptável quando as pessoas precisam de alguém que com técnica, com sutileza, com amor, desperte nelas o lado luz. A gente vê nas mediações, pessoas que chegam combalidas, angustiadas, realmente destroçadas emocionalmente e que conseguem na mediação se recompor, reorganizar suas emoções, reorganizar seu modo de pensar, de ver a vida e ver naquele conflito, naquela dor, uma possibilidade de crescimento, de aprendizado, de se transformar num ser humano melhor”.

Conciliação e mediação

A conciliação é uma forma consensual de solução de conflitos onde o conciliador orienta as partes para que façam a composição. Na mediação, o mediador entra no mérito da questão para tentar com que as partes também se componham amigavelmente. Caso não haja acordo, o caso vira processo e acaba sendo decidido pelo juiz. (DR).

Descerramento da placa que inaugurou o centro

Juiz Hildebrando assina a instalação do centro. Via JOpioneiro

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