CONFIRMADO foco de Ferrugem em MT

ferrugemAprosoja/MT recomenda o dobro de atenção e o monitoramento efetivo das lavouras. Com a colheita, os fungos se alastram. O primeiro foco da doença fúngica da soja, a ferrugem asiática, nesta safra, em Mato Grosso, foi confirmado no final da tarde da última segunda-feira, pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). A doença foi encontra em talhões de uma lavoura comercial em estágio de desenvolvimento do grão (R5), localizada em Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá). De acordo com a entidade, o caso surge 20 dias antes em relação à ocorrência da safra anterior (2010/11).

O gerente técnico da Aprosoja/MT, Nery Ribas, destaca que apesar da antecipação em relação ao ciclo passado, “focos da doença já eram esperados, pois além de o Estado ser endêmico em relação à ferrugem, o clima atual – quente e úmido – é altamente favorável à disseminação do fungo”. A ferrugem é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. A doença compromete a produtividade das plantas e traz sérias perdas econômicas ao produtor, visto que demanda mais fungicidas do que o habitual – quando se faz a prevenção ao fungo – e se colhe menos. “Em outras palavras, colhemos menos e gastamos mais”, aponta o presidente da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro. Com a confirmação da ferrugem asiática, Ribas destaca que mais do que nunca é preciso que o sojicultor, independente da região em que planta, monitorar de forma efetiva a sua lavoura. “Começamos a colher e isso faz com que o fungo se alastre com o vento. Além disso, temos casos já registrados em outros quatros estados, além de Mato Grosso, sendo a maioria deles no Paraná. Ao menor sinal, o sojicultor deve procurar os mini-laboratórios que disponibilizamos nesta safra”. De acordo com Ribas, somente na safra 2011/12, cerca de 300 amostras de plantas foram analisadas. “Não há outra postura a ser adotada agora, a não ser caprichar no tratamento da lavoura”. Como destaca o presidente da entidade, com clima típico de verão – úmido e quente – e com lavouras em estágio avançado de desenvolvimento, o período se torna propício para o surgimento e disseminação do fungo causador da ferrugem asiática. Ele destaca ainda que os esporos da doença são disseminados pelo vento. “Quando a ferrugem ataca a planta madura quase não há perdas, no entanto, esse esporo fica no ambiente e se alastra rapidamente”. Fávaro lembra que a maior parte das lavouras mato-grossenses está no estágio de início de enchimento de grão, etapa extremamente importante para o bom rendimento da produção. “Neste ano, em função do surgimento das primeiras chuvas, ainda em setembro – quando historicamente o Estado começa a plantar – o cultivo se deu nos mais de 6,9 milhões hectares em cerca de 40 dias, em função disso, a maior parte das lavouras está em início de enchimento, e por isso a doença, se não controlada, trará sérios danos”. DOENÇA – A ferrugem chegou ao Brasil na safra 02/03 e já no ano seguinte foi registrada no Estado. Na safra 04/05 se alastrou e impôs prejuízos à atividade. Conforme um estudo do especialista, José Tadashi, desde sua chegada ao País, a ferrugem causou perdas de quase US$ 20 bilhões entre ela avarias em grãos, impacto na produtividade, alto custo às lavouras e impostos que não foram gerados por uma produção menor. Para Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, as estimativas são de que o prejuízo tenha sido de cerca de US$ 5 bilhões, cifras que equivalem a quase todo o dinheiro aplicado pelos produtores para se fazer uma safra da oleaginosa.A incidência da ferrugem é controlada por meio de fungicidas, o que em situação normal demanda cerca de 2,8 aplicações do químico para cada hectare, mas no Estado, como lembra Ribas, houve temporadas que exigiram até sete aplicações e que renderam ao produtor 40 sacas, dez a menos do que as 50 sacas que são a média de produtividade em Mato Grosso. “Para este ano não temos uma previsão de quantas aplicações serão necessárias. Tudo vai depender do clima”. Pelos números atuais de custo de produção aferidos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), o custo com o químico e mais a aplicação, nesta safra, será de R$ 78 por hectare e para cada aplicação necessária. O valor multiplicado pela média de 2,8, ultrapassa R$ 218.PARCERIA – Aprosoja/MT está inserida no projeto Antiferrugem em campo, parceria com a Embrapa e a Basf. Nesta safra o projeto disponibiliza 10 mini-laboratórios, instalados nos núcleos da Aprosoja/MT, localizados nos principais municípios produtores de soja do Estado. Por meio do consórcio é possível acompanhar o mapa de dispersão da ferrugem asiática no país por meio do endereço: http://www.consorcioantiferrugem.net/portal, ou acessando o site da Aprosoja (www.aprosoja.com.br), que tem link para o mapa.

MARIANNA PERES
Da Editoria

Responder

comment-avatar

*

*