Considerado um dos principais repórteres do interior de Mato Grosso, Ronaldo Couto desabafa e abre o jogo no ARAGUAIA HOJE, fala sobre perseguição, troca de partidos e outros assuntos

Ao completar 26 anos de carreira, o consagrado repórter Ronaldo Couto, que atualmente apresenta ao lado de Vander Lima o Jornal da band Local, na TV Serra Azul, tem um desafio em 2012, reconquistar uma cadeira na câmara municipal de Barra do Garças. Ronaldo nasceu em Mineiros-GO, mas foi criado em Barra do Garças desde criança.

Em 1986, ainda com 15 anos de idade, recebeu uma oportunidade do radialista Pedro Porto, bem como de Irineu Alves (hoje diretor da sucursal do Diário de Cuiabá) e Ângelo Máximo. Estreou no rádio como plantonista esportivo e locutor musical. Sete anos depois, iniciou sua trajetória no jornalismo como repórter de rua, já no final da década de 90 começou sua carreira na tv, fazia reportagens de rua para a TV Araguaia (hoje TV centro-oeste). Ronaldo Couto logo se destacou na telinha e foi contratado pela TV cidade, onde apresentava o quadro o povo na tv, e com o assistencialismo do programa ganhou uma grande popularidade.

Em 2004 resolveu entrar na política, disputou as eleições pelo PCdoB e conseguiu se eleger obtendo 1.027 votos, sendo o segundo mais votado no município. No ano de 2008 já no PMDB, tentou a reeleição, mas ficou apenas como primeiro suplente, com 647 votos, Ronaldo Couto foi superado por Celson Souza e a coligação PMDB/PV fez apenas uma vaga,faltaram 120 votos para atingir o coeficiente e eleger mais um. Sem mandato está cursando jornalismo na UFMT e além das funções de repórter e apresentador na TV Serra Azul, escreve matérias da região do Araguaia para o site Olhar direto de Cuiabá.

Nesta semana o ARAGUAIA HOJE entrevistou Ronaldo Couto, que falou sobre o fracasso na reeleição, perseguição política e das articulações para as eleições municipais deste ano, acompanhe a entrevista na íntegra:

AH – Você obteve 1027 votos em 2004 e apenas 647 em 2008, ou seja, você perdeu em quatro anos 380 votos, a que atribui essa queda?

RC – Eu fui o candidato mais perseguido nas eleições passadas, pelo fato de ter ido para o PMDB, passei a ser perseguido de todas as formas pelo grupo do ex-prefeito Chaparral e principalmente do grupo do então candidato a prefeito Vanderlei Farias, muitas vezes eu colocava meu cartaz na porta de uma casa num dia, voltava no outro, os integrantes dos outros grupos políticos passavam e tiravam, na reta final da campanha eu até pedia para meus eleitores não manifestarem, pois se fizessem isso, os adversários iam lá e tentavam tirar o meu voto de uma forma ou de outra. Outro fato que acabou me prejudicando, eles soltavam pesquisa me colocando muito na frente, como se tivesse eleito, então procuravam meus eleitores e falavam que não precisavam votar em mim, porque eu já estava eleito, muitas pessoas me procuraram depois dizendo isso, acabou também me prejudicando bastante. E claro a parte financeira, teve candidato que gastou 300 mil reais, daí fica difícil brigar de igual pra igual.

AH – E depois dessa perseguição que você afirma ter sofrido, você tem mágoa ou raiva de Vanderlei Farias e Chaparral?

RC – Pela forma que levo as noticiasmostrando a verdade, levando ao ar as denúncias dos moradores, alguns tem essa impressão, mas apenas faço o meu trabalho, sem levar para o lado pessoal, apesar de ter sido muito prejudicado não guardo mágoa nem rancor, isso não leva a gente a lugar nenhum, procuro apenas levantar a cabeça e seguir em frente.

AH – Você estava até pouco tempo com o ex-deputado Daltinho, agora está no grupo político de Roberto Farias, o porquê dessa mudança, o que te levou a isso?

RC – Eu estive ao lado do Daltinho em duas eleições, em 2008 quando apoiei a Maria do Mercado para prefeita junto com o então deputado, e em 2010, trabalhei duro na tentativa de reeleição dele para a assembléia, infelizmente não conseguimos êxito mas estive do lado, e tenho certeza que cumpri minha parte, mas chega uma hora que temos que tomar novos rumos, até porque durante todo esse tempo o empresário Roberto Farias nos deu todo apoio, e na escolha entre os dois, acabei optando por seguir junto com Roberto farias.

AH – Você é taxado por adversários de ter trocado de lado e de partido com freqüência, como vê essas críticas?

RC – Vejo com muita injustiça, desde que entrei na vida política, fui filiado apenas em três partidos, me filiei no PCdoB em 2003, em 2007 fui para o PMDB e agora em 2011 me filei no PSD, que é um novo partido, portanto nem pode ser considerado uma troca, tenho certeza que a maioria dos políticos tiveram filiados em mais partidos e fizeram mais trocas que eu, é só fazer um levantamento e comparar.

AH – Nas últimas eleições você ficou como primeiro suplente da coligação PMDB/PV, ainda tem esperanças de assumir?

RC – É muito difícil, principalmente com os rumos que tomaram, por exemplo o vereador eleito Celson Sousa, que hoje está na base do prefeito Vanderlei Farias e eu estou na oposição, se bem que nós tínhamos um acordo de que, quem fosse eleito da coligação faria um rodízio com os três primeiros suplentes. Isso iria me beneficiar como primeiro suplente e os outros dois, Orlando Moraes (2º) e o Manoel Cilênio (3º) já falecido. Mas passado as eleições nada foi cumprido e o Celson sequer tocou no assunto.

AH – E agora você é pré-candidato, de que forma pretende voltar a câmara, qual a sua expectativa?

RC – Primeiro espero não sofrer a mesma perseguição de 2008, e acredito muito na minha base, minha família foi praticamente o primeiro grupo de baianos que chegou na região de Barra do Garças em 1940, e é a partir dessa base que vou em busca de alcançar o objetivo, o aumento das cadeiras na câmara também é um ponto positivo, passando de dez para quinze vagas, se fossem quinze, eu inclusive estaria dentro no atual mandato. Outro aspecto que é diferente das eleições passadas é o partido, PSD, que é recém-criado, mas já é o maior de Barra do Garças, tem muitos nomes forte e deve fazer quatro vereadores. A partir da convenção em junho vamos lutar para estar entre esses primeiros do partido, ou de uma possível coligação.

AH – E quanto a Roberto Farias, seu novo líder político, no seu modo de ver, tem chances de ir e vencer a disputa?

RC – Eu acredito que é um nome preparado não apenas para ser o nome forte da oposição como para chegar a prefeitura e fazer uma administração diferente e de muito progresso, mas claro que depende de reverter o processo ao qual foi condenado em duas instâncias, mas pelo que temos vistos de outros casos, bem mais graves inclusive, creio que conseguirá reverter esse quadro e conseguir confirmar a condição de candidato em junho nas convenções.

A entrevista com Ronaldo Couto foi feita na quarta-feira (11/01/2012) pelo repórter Vander Lima

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