Cotado para ministério, Rui Prado critica governo federal por atuação em Marãiwatsédé

Indicado pela bancada federal para assumir o Ministério da Agricultura, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, teceu duras críticas ao governo federal pela maneira como foi conduzida a retirada dos agricultores da Terra Indígena Marãiwatsédé, no nordeste de Mato Grosso. Segundo ele, a União não cumpriu seu papel, não o deu o tratamento que deveria ter dado aos produtores e, por conta disso, muita gente têm morrido sem o mínimo de suporte.

“Aquilo é uma calamidade. Os produtores foram retirados de suas terras à força, levados para os municípios vizinhos principalmente para Alto Boa Vista e deixado lá às margens da rodovia. Tem relatos de óbitos já, de pessoas que morreram por conta da desintrusão. Então o governo brasileiro, o Estado não fez o que deveria ser feito. Não deu o tratamento que deveria dar àquelas pessoas”, criticou.

Segundo Rui, naquele caso específico existe uma decisão judicial que têm que ser respeitada, mas não chegou ao término do processo judicial. “Então como é que você tira uma pessoa da sua propriedade e não dá condições nenhuma para ela sobreviver. Então aquilo é um caso de calamidade”, enfatizou.

De acordo com o presidente, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), realiza um estudo para responsabilizar juridicamente o Estado Brasileiro pelo que foi feito com os produtores de Marãiwatsédé.

“A Famato está dando apoio jurídico no assunto. Ainda não sabemos como faremos essa representação. Eu reitero que decisão judicial tem que ser respeitada, mas nós muito provavelmente ingressaremos na justiça pela barbárie que foi feita naquele local contra os produtores”, finalizou.

O nome de Rui foi indicado pela bancada federal do PSD e PMDB à presidente Dilma Rousseff (PT) para assumir o Ministério da Agricultura. O ruralista confirmou as conversações e a indicação por parte do presidente da executiva estadual do PSD em Mato Grosso, Chico Daltro, mas afirma que por enquanto tudo não passa de especulação, já que ainda não houve nenhuma conversa com a presidente.

O fato é que o PT ainda tem grande índice de rejeição junto ao segmento do agronegócio. Pela leitura política, indicar alguém forte no setor para Ministério seria uma estratégia de reeleição de Dilma, com intuito de ganhar a simpatia do setor do ruralista. Olhar Direto

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