CRM afirma que salário de R$ 6 mil e instalações insalubres afastam médicos do sistema prisional

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM/MT) afirmou que o baixo salário, cerca de R$ 6 mil por mês, e as condições insalubres das unidades prisionais de Mato Grosso, foram motivadores para a baixíssima procura no seletivo lançado pela Secretaria Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso (Sejudh).

Segundo a Sejudh, as inscrições terminam nesta sexta-feira (17) e apenas 10 médicos se inscreveram para disputar as 41 vagas que estão abertas. As ocupações são para atuar como médico psiquiatra, clínico geral, ortopedista e ginecologista. O salário oferecido é de R$ 6.492,65, por 30 horas semanais.

Em entrevista ao Olhar Direto, a médica Mária de Fátima, vice-presidente do Conselho, manifestou insatisfação com seletivo. “Temos que levar em conta  toda a situação de insalubridade nas unidades prisionais, com surtos de tuberculose, além da falta de segurança, realidades que desanimam o profissional que está procurando emprego. O salário também não é atrativo”, avaliou.

Segundo a assessoria de imprensa do Conselho, médicos que atuam em unidades de Postos de Saúde da Família (PSF) recebem quase a mesma remuneração oferecida pela Sejudh, porém, as condições de trabalho são melhores.

O CRM explicou ainda que o salário oferecido no seletivo é bem menor que os R$ 11 mil, estipulado pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) como o mínimo a ser pago a categoria.

Diante da baixa procura, a Sejudh deve prorrogar o período de inscrições. Outra alternativa seria tentar trazer para o sistema prisional de Mato Grosso profissionais que participem do programa “Mais Médicos”, do Governo Federal.

Segundo a reportagem apurou, essa seria uma pautas tratadas entre a presidente Dilma Rousself e o governador Silval Barbosa, que se reuniram por cerca de uma hora e meia na quinta-feira (16), no gabinete presidencial em Brasília.

Atualmente o sistema penitenciário de Mato Grosso possui 11 médicos para atender os pouco mais de 10 mil presos em todo o Estado.

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