Cuiabá: Vítima de atropelamento defende punição, mas perdoa e gostaria de reencontro com adolescente

Foto: Max Aguiar – OD

O publicitário Rafael Bergman, uma das vítimas do atropelamento que resultou em uma morte e dois feridos, falou em entrevista exclusiva ao Olhar Direto que depois de recuperado pretende se encontrar com o adolescente de 14 anos que estava dirigindo o veículo e dizer que o perdoa pelo que fez na noite de terça-feira (26), na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá. 

“Eu não guardo rancor de ninguém. Mesmo ele sendo o culpado de um ato irresponsável, eu o perdoo e quero ter a oportunidade de encontra-lo e dizer isso pra ele. Mesmo sendo praticamente uma criança, é preciso saber que responsabilidade todos devemos ter. Eu o perdoo”, ressalta o publicitário, que está com diversas ferimentos pelo corpo e internado em um hospital de Cuiabá.

O Atropelamento

“Eu estava fazendo meu caminho normal de casa para academia. Era aproximadamente umas 20h15 quando resolvi trocar de lado da calçada para chegar até minha casa quando passei em frente ao hotel e ouvi um barulho de pneu cantando e vi um carro em zig zag na avenida que em menos de dois segundo atropelou o ciclista que estava do meu lado e eu também me tornei vítima”, conta com detalhes Rafael.

Com a voz ainda embargada e dificuldades para respirar, o publicitário ressalta que a pancada no ciclista foi com a mesma intensidade que a dele. “Acho que não era meu dia, porque a mesma velocidade que o veículo bateu no Enéias também bateu em mim. Nós caímos juntos”, disse o internado que ainda concluiu a frase com a cena seguinte da colisão. “Eu cai de rosto no chão e em cima do mim estava Enéias, já sem vida. Eu só ouvia gritos e não sentia dor”.

Na cena da colisão, Rafael diz que ainda conseguiu ver os olhos do ciclista fixos ao solo, o que configurava a morte de uma das vítimas e do outro lado tinha outro ferido. “Eu vi o ciclista morto e comecei a ficar com medo. O médico do Samu disse que era pra eu ficar calmo porque eu ia ficar bem, que eu não ia morrer, porém precisava ficar calmo para o trabalho dele também surtir efeito. Ainda dentro da ambulância também descobri que estava com a perna quebrada, desse momento em diante comecei a sentir muita dor do rosto”.

No Pronto-Socorro

Com fratura na perna, maxilar e vários dentes perdidos, Rafael ainda lembra que os piores momentos após o acidente foi dentro do Pronto-Socorro de Cuiabá. “Cheguei lá e só fui limpo outro dia. Fui medicado e fizeram vários exames em mim, porém lá dentro do jeito que os pacientes são deixados uma bactéria qualquer pode matar mais que o ferimento  com que você chega. Graças a Deus fui trazido pra cá e agora é esperar a recuperação”, descreve o publicitário que não corre risco de morte por conta das lesões.

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Por enquanto Bergman disse que a família do adolescente que o atropelou ainda não prestou nenhum atendimento. “O avó dele é bem quisto aqui onde estou. Os médicos falam bem, porém não sei se ele está ajudando com algo. Diretamente ainda não recebemos nenhuma ajuda”.

Ainda não tem não tem previsão para quando Rafael deve receber alta médica. Por enquanto ele se recupera em um quarto da enfermaria de um hospital de Cuiabá e deve passar por algumas cirurgias para recuperação na perna e face.

Nas redes sociais os amigos do publicitários estão deixando várias mensagens de apoio ao jovem. “Agradeço a todos que estão me apoiando nessa recuperação. Quero deixar claro que eu defendo pena para o autor do atropelamento, mas quero dizer pra ele que eu o perdoo e dizer às pessoas que acompanham o caso de longe. O culpado disso não é o adolescente, quem deve pagar é ele, porém com acompanhamentos, pois como já disse ele ainda é uma criança. Eu, que sofri tudo e to em uma cama, quando me recuperar quero dizer à ele que eu e ele temos novas oportunidades de viver nossas vidas”, finalizou Rafael.

O acompanhante de quarto de Rafael, que é pró-reitor do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) confirmou que uma vida sem atos como esse que aconteceu com o publicitário só deixarão de acontecer quando os pais com mais frequências conversarem com seus filhos.

“Hoje os pais conversam poucos com seus filhos. O diálogo é a base de tudo. Não estou culpando ninguém por esse menor agir assim, pegar um carro escondido, matar um e ferir dois, to dizendo que atos assim só sairão de cena na sociedade quando os pais acompanharem seus filhos mais de perto e conversarem diariamente sobre responsabilidade”, afirmou Dagmar Anjos.

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