Defesa quer desqualificar crime contra ex-marido acusado de matar juíza

Réu não aceitava fim de relacionamento e matou juíza em Fórum de MT.
Ele está preso em Cuiabá e será escoltado até a Comarca de Alto Taquari.

Glauciane Chaves de Melo (1)Para tentar limitar a punição do enfermeiro Evanderly de Oliveira Lima, de 43 anos, acusado de assassinar a tiros a ex-mulher dele, a juíza Glauciane Chaves de Melo, a defesa pretende desqualificar o crime de homicídio triplamente qualificado para que responda criminalmente apenas por homicídio. O réu vai prestar depoimento nesta quarta-feira (11) na Comarca de Alto Taquari, cidade distante 509 km de Cuiabá, mesmo local do crime, a partir das 13h30. A oitiva será conduzida pelo juiz Luis Felipe Lara de Souza, que deverá ouvir também cinco testemunhas de acusação.

Apesar de ser réu confesso, a advogada Deuzania Marques Vilela Alves, nomeada pela Justiça para fazer a defesa, declarou aoG1 que o acusado está arrependido de matar a magistrada no dia 7 de junho deste ano. “Pelo que conversamos, ele deverá confessar e admitir que errou ao cometer esse ato. Vamos buscar derrubar as qualificadoras”, pontuou.

Na denúncia feita pelo Ministério Público Estadual, o promotor de Justiça João Batista de Oliveira aponta que o homicídio ocorreu por motivo torpe, perigo comum, além de Evanderly Lima se utilizar de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

A juíza foi morta dentro do próprio gabinete, quando o ex-marido efetuou três disparos, sendo que dois atingiram a nuca dela. O acusado está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ele será escoltado até o Fórum de Alto Taquari, para a oitiva. A ação corre em segredo de Justiça. Após ouvir os envolvidos, o juiz abrirá prazo para as partes se manifestarem e, em seguida, o processo seguirá para sentença, que vai decidir se o acusado vai ou não a júri popular.

Contudo, a advogada já havia anunciado ao G1 que não arrolou testemunhas de defesa para o réu. “Não houve tempo hábil e também não havia ninguém que ele conhecia para testemunhar a seu favor”, afirmou Alves.

No dia do crime, o enfermeiro foi até o Fórum de Alto Taquari para falar com a juíza no gabinete dela. Eles teriam discutido e o ex-marido efetuado os disparos. Em seguida, fugiu do local. Na denúncia, o promotor de Justiça João Batista de Oliveira destacou que o enfermeiro e a juíza conviveram em união estável por cerca de oito anos e que estavam separados desde dezembro de 2012. O crime, conforme o MPE, ocorreu após a vítima se recusar a reatar o relacionamento.

O casal se mudou para Alto Taquari em junho do ano passado após a vítima tomar posse no cargo de juíza. Nos últimos meses, o suspeito não aceitou o fim do casamento e teria feito várias ameaças à juíza para que reatassem o relacionamento. Em depoimento à polícia, Evanderly alegou que estava transtornado por supostamente a ex-mulher estar se relacionando com outra pessoa e, por isso, foi até o Fórum e, após uma discussão, atirou contra a vítima no gabinete dela.

Após o crime, Evanderly fugiu a pé e entrou em uma área de mata fechada. Ele foi capturado três dias depois a aproximadamente 12 quilômetros do perímetro urbano de Alto Taquari. Para evitar ser preso, ele ficou camuflado entre folhas no meio da mata. Essa estratégia ele teria aprendido durante um curso de sobrevivência que fez quando era bombeiro militar em Minas Gerais.

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