Depois de Querência, Alta Floresta também deixa lista dos maiores desmatadores da Amazônia

Cidade controlou o desmatamento, queimadas e cadastrou propriedades.
Segundo governo, cidade focou no desenvolvimento econômico sustentável.


Maior parte das propriedades agora está sendo monitorada pelo governo

A cidade de Alta Floresta, a 800 km da capital Cuiabá (MT), deve deixar a lista nacional dos municípios brasileiros que mais desmataram a Amazônia. A saída da lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) deve ocorrer após o município do norte do estado conseguir alcançar o registro de 80,23% das propriedades rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma das exigências para deixar o rol dos principais devastadores da floresta. “Dos 859 mil hectares do município, agora 682,243 mil estão sob monitoramento”, declarou, ao site, o secretário estadual de Meio Ambiente, Vicente Falcão.

Alta Floresta é o segundo município mato-grossense a deixar a lista nacional. O primeiro foi Querência, a 912 km da capital, no mês de março do ano passado. Agora, o estado vai passar a ter na lista 22 municípios, mas o decreto oficializando o ato ainda deve ser publicado no Diário Oficial da União (DOU).

A lista dos 42 municípios foi criada em 2007 pelo Ministério do Meio Ambiente. O objetivo do governo era dar prioridade nas ações de fiscalização da devastação e em programas de criação de alternativas para a população que vive da exploração ilegal da floresta. Quase todos os municípios ficam na área do Arco de Fogo, entre o norte de Mato Grosso e o leste do Pará, onde é maior a pressão da agropecuária, conforme o governo.

Nos municípios da lista, o governo federal proibiu a autorização para qualquer novo desmatamento. Além disso, os produtores dessas cidades estão sujeitos às restrições de crédito agrícola impostas pelo Conselho Monetário Nacional a quem tem irregularidades ambientais.

“O município entrou na lista porque realmente desmatou. Mas mostramos que é possível desenvolver atividade econômica de maneira sustentável”, afirmou, em entrevista ao G1, a secretária municipal de Meio Ambiente de Alta Floresta, Irene Duarte. Ela disse que o último item cumprido pelo município foi o cadastramento das propriedades no CAR. Segundo a secretária, foram registradas 3.868 das 4 mil propriedades rurais do município. O CAR fornece informações sobre o tamanho e o mapeamento da vegetação das propriedades. Agora, a cidade passa a ser considerada área com desmatamento monitorado e sob controle.

Irene Duarte destacou que antes de cumprir o CAR foi realizado um intenso trabalho conjunto com entidades e organizações não-governamentais para buscar reduzir as queimadas e o desmatamento na região. “Chegamos a identificar na época que quase 50% do território do município foram desmatados. Mas conseguimos, a partir do envolvimento da sociedade, conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação ambiental”, disse.

A secretária também comentou que os produtores do município, que exporta carne e madeira, viveram estes anos com previsões de sofrer sanções econômicas, principalmente do exterior. Isso estimulou o interesse pelo desenvolvimento de projetos ambientalmente corretos.

Conforme informações repassadas pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Vicente Falcão, o desmatamento na região de Alta Floresta ficou abaixo dos 40 km quadrados, que também era um item cobrado pelo governo federal.

“A propriedade rural tem passado a ser vista do ponto de vista do negócio, deixando de ser apenas uma extensão da própria casa”, avaliou o secretário, ressaltando uma mudança no perfil dos produtores de Mato Grosso. Ele disse que outros 22 municípios que ainda estão na lista devem seguir os exemplos de Querência e Alta Floresta. Ainda de acordo com o secretário, Mato Grosso já possui 22 milhões de hectares de propriedades rurais, de um total de 37 milhões, cadastradas no CAR.

Segundo a direção da organização não-governamental Instituto Centro de Vida (ICV), que desenvolveu atividades de conscientização na região, a experiência de Alta Floresta comprova que encarar os desafios de forma coletiva, com ações práticas desenvolvidas de forma integrada, é o melhor caminho para a preservação. Além de sair da lista dos maiores desmatadores, Alta Floresta pode ter uma nova trajetória de desenvolvimento econômico pautada na sustentabilidade, conforme projetou a ONG.

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