Deputado Daltinho conta bastidores, omissão e história de Suiá Missu

O deputado estadual Adalto de Freitas (PMDB), Daltinho, critica omissão da bancada federal e outras lideranças políticas do Estado sobre nível de litígio diante do quadro em que se transformou o conflito da reserva indígena Marãiwatsédé, área remanescente da antiga fazenda Suiá Missu. O parlamentar conta um pouco da história da região, onde morou na infância, e relata os alertas que fez ao longo dos últimos anos.

“Um possível confilto e derramamento de sangue, no caso da reserva Marãiwatsédé, poderiam ser evitados se não fosse a omissão, vaidades e falta de prestígio da bancada federal e de nossas lideranças políticas”, avalia.  A região de litígio pertence ao distrito de Estrela do Araguaia/Posto da Mata, nos municípios de Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia. Em 1998, um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso homologou a área da fazenda em reserva indígena.

Oficialmente, nesta sexta-feira começa a desintrusão (retirada) de parte de cerca de 7 mil pessoas do distrito, de acordo com a associação de produtores locais (Aprosum), e cerca de 2.500, de acordo com o Incra. A população é formada por posseiros produtores rurais e comerciantes.

Daltinho lembra que há seis anos luta por uma solução, e nunca foi ouvido. “Agora, com a cobertura da mídia e o fato da omissão repercutir em toda a região do Araguaia, nossos líderes resolveram fazer alguma coisa”, mostra certa angústia. “Pena que possa ser tarde demais, e sujem as mãos de sangue. No inferno, os lugares mais quentes são resevados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise”, lamenta numa mistura de preocupação e temor pelo pior.

Daltinho afirma que conhece bem o histórico do caso. Pois, quando tinha três anos, ele morou na Suiá Missu, onde seu pai era gerente. È dele também a lei 9.564, que autoriza o Estado de Mato Grosso a fazer a permuta da área em conflito pelo Parque Estadual do Araguaia, de cerca de 235 mil hectares, maior do que os 165 mil hectares constituído pela União como área indígena.

“È preciso que bancada de Mato Grosso esvazie as vaidades e envolva as grandes lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado com o objetivo de serem recebidos pelo ministro da Justiça e a presidente Dilma. Coisa que até agora não aconteceu. E umas das pessoas que pode fazer essa interlocução é o deputado federal Carlos Bezerra, que até agora não foi acionado pelo governo do Estado”.

Desde seu primeiro mandato que o deputado Adalto de Freitas chama atenção para um possível conflito e derramamento de sangue. “Estive algumas vezes com o governador Blairo Maggi, quando ele era governador alertando para esse fato e exigindo que estado de Mato Grosso comprasse essa briga”.

Histórico

Daltinho conta que no final da década de 1950, índio Xavante do Tocantins entraram em guerra com índios Xerente, que se juntaram aos índios da etnia Carajás, conhecidos pela valentia. “Depois de sangrentos conflitos, os Xavante se retiraram da área e fugiram para região onde hoje é o município de Alto Boa Vista, onde ficaram encantonados”, diz.

A situação dos Xavante ficou insustentável, pois não tinha em local definido, passavam fome e foram acometidos por várias doenças. Essa situação chamou a atenção da Funai e do governo federal, afirma o deputado.

“Na ânsia de dar uma solução para os Xavante, a Funai e o governo federal criaram a reserva de São Marcos, na região de Novo São Joaquim”, diz.

O governo federal montou uma grande operação em 1966 para retirar os índios Xavante que estavam na região, para levá-los para a nova reserva de São Marcos, “para isso foi utilizado a pista de pouso da fazenda Suiá Missu, pois era a única nas proximidades. Esta é única ligação dos xavantes com a fazenda Suiá Missu, o uso da pista”, afirma.

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