Despejo coletivo de 15 mil pessoas

Para os índios da etnia Xavante – que lutam há décadas para retomar uma área na cidade de Alto Boa Vista (1063 km de Cuiabá) – o pesadelo acabou. Decisão do Ministério Público Federal (MPF) no mês de junho determinou que fosse feita a retirada dos agricultores que lá se encontram desde 1990 para que a área seja dada aos indígenas. Contudo, com a decisão, começa o pesadelo dos não índios – que não têm para onde ir – e do governador Silval Barbosa (PMDB), que tenta, desde então, decidir o impasse com a oferta de outra área para os indígenas, porém, sem sucesso, já que os índios querem que a decisão do MPF seja cumprida. E logo.

O presidente da Associação dos Produtores Rurais da Área Suiá Missu (Aprosu), Renato Teodoro da Silveira Filho, indica que os cerca de 700 agricultores vão lutar na Justiça para reverter a situação porque não vêm sentido em sair de uma área que foi comprada e que, segundo eles, desde o início, não tinha indícios de índios. “Temos documentos datados de 1970 onde a Funai e o indigenista Vilas-Boas indicavam que não havia índios naquela área. Na região sim, mas na área em questão, não. No local há escolas, postos de gasolina, estrutura que teve o capital desses agricultores investido e que vão perder porque não haverá indenização. Por isso penso que seria mais fácil que os Xavante fossem para a área que o governo oferece”, comenta.

Conforme Silveira tudo começou em 1970, quando a Agip, que explora petróleo, quis entrar no mercado brasileiro, que ainda era fechado aos estrangeiros e, por isso, comprou a Liquigás denominando a empresa de Agip-Liquigás. Com a compra veio uma fazenda de Ariosto da Riva, de cerca de 200 mil hectares. Como a terra não interessava à empresa, ela foi vendendo partes da área e uma parte restante, de acordo com Silveira, foi “anunciada” que seria doada à Funai por alguém da Agip que ele não soube precisar o nome, na Eco-92, ocorrida no Rio de Janeiro. Contudo, o anúncio não foi acompanhado de documento atestando que a área seria doada à Funai.

O presidente disse que a história vazou e então começaram a entrar pessoas e a reforma agrária se deu normalmente. Todavia, ele conta, em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), assinou decreto homologando a área indígena sem levar em consideração toda a documentação e a vida e estrutura das pessoas que já moravam na área. Foi então que surgiu a Associação para defender os produtores. “Todos têm o registro Torren, documento que vale mais do que o de cartório e nem assim isso adiantou”, lamenta Silveira.
Toda essa força na entrega da área para os índios, acredita ele, deve ser por influência de grandes ONGs. Toda a mídia tem mostrado nos últimos dias a população revoltada com a possível saída forçada da área. O presidente estima que não só as três mil pessoas que lá vivem sejam prejudicadas, mas perto de 15 mil que vivem em toda a cidade com a baixa na economia da região caso a saída se concretize. “A área em questão representa 72% da cidade de Alto Boa Vista”, lembra.

Fonte:Circuito MT

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