Diretor da Cadeia Pública diz que evangelização é o que mais tem conseguido recuperar os detentos


O J. O Pioneiro entrevista nesta semana o diretor da Cadeia Pública de Canarana, Charles Jeremy Almeida Castro, 47 anos, natural de Barra do Garças e que já mora há 10 anos em Canarana. Charles relatou as melhorias estruturais que estão sendo realizadas na unidade prisional.
JOP – Quantos detentos no regime fechado e no semiaberto tem atualmente a Cadeia Pública? E qual é a capacidade?
CHARLES – Fechado 48, capacidade 48; Semiaberto 10, capacidade 14.
JOP – Em janeiro deste ano 4 detentos fugiram da cadeia. Que medidas foram tomadas para reforçar a segurança?
CHARLES – Apesar de nossa Unidade prisional ser muito segura, sempre se deve ter atenção aos seres privados de liberdade, sendo que naquele local, entre eles existem pensamentos diferentes. Tem os que sabem que cometeram um erro e querem pagar pelo seu erro e tem os que não aceitam a pena e querem de qualquer forma fugir, mais isso para quem trabalha nesta área a atenção tem que ser 24 horas para evitar fugas ou outros problemas maiores.
JOP – Na semana passada um homem foi preso tentando jogar celular e drogas no presídio. Como evitar que pessoas tenham acesso ao telhado para praticar esse crime?
CHARLES – Esse problema de entrada de droga na Unidade já é bastante antigo pela falta de estrutura, além da mesma ser localizada no Centro da Cidade. Digo que há dois anos quando assumi a direção, minha principal luta foi para melhorar nossa segurança a estrutura da Unidade, seu funcionamento e o aumento do efetivo que era muito baixo.
JOP – Nas visitas aos detentos, pessoas também adentram na cadeia com drogas e celulares nas partes íntimas. Como combater essa prática?
CHARLES – A visita é um direito do recuperando, sendo que temos que adequar a ela. Nesses dois anos já foram presas quatro mulheres e três homens tentando entrar com drogas. O que temos a fazer é revista pessoal usando detectores de metais e raio-x quando preciso no PSF.
JOP – O efetivo de agentes do presídio é o suficiente?
CHARLES – O efetivo hoje já melhorou bastante, antes era um agente por plantão sem poder usar armas e se tivesse qualquer problema tinha que solicitar ajuda da PM. Hoje temos plantão com três ou quatro agentes armados e preparados.
JOP – A cadeia pública tem passado por constantes reformas. O que foi feito recentemente?
CHARLES – Com o apoio do Conselho da Comunidade e da Prefeitura – que neste mandato está nos ajudando bastante -, foi construída uma cela feminina, foram feitas na parte externa guarita com passarela, reformado o telhado, reformado todas as dependências da Unidade e celas, equipado com monitoramento a parte externa e interna, e por ultimo está sendo levantado o murro em volta para tentar acabar com a entrada de drogas na cadeia.
JOP – Na cadeia local há presos de quais municípios? Existe algum detento de alta periculosidade?
CHARLES – O sistema prisional, por ser de responsabilidade da União, do Estado e do Município, quando se prende alguém que não seja da cidade ou que tenha mandado de prisão de qualquer lugar do país somos obrigados a receber, para depois transferir para o local de origem do crime. A questão de ser perigoso ao meu modo de ver é que qualquer ser humano que sempre foi uma pessoa de bem e que cometa um crime grave já se torna uma pessoa perigosa.
JOP – Em questão de ressocialização, quais trabalhos são desenvolvidos atualmente?
CHARLES – As boas práticas na Unidade Prisional são aulas de alfabetização em parceria com a Secretária de Educação do Município, cursos profissionalizantes através do SENAR em parceria com o Sindicato Rural e Conselho da Comunidade, e temos fabricação de produtos de higiene e limpeza e produção de artesanatos.
JOP – Igrejas realizam constantemente trabalhos na cadeia. Você tem visto resultado nesta ação?
CHARLES – O trabalho de evangelização em minha opinião é o que mais consegue recuperar essas pessoas que erraram e que tentam sair da droga. Hoje temos duas igrejas que visitam a cadeia semanalmente trazendo com isso um grande trabalho para beneficio dos recuperandos e da sociedade.
JOP – Como você avalia o sistema carcerário brasileiro?
CHARLES – Em minha opinião o maior problema é a falta de investimento público em presídios, qualificação dos agentes, falta médicos nos presídios, superlotação, etc… Na verdade é que no país todo o estado virou as costas para o sistema prisional. O que tenho a dizer é que nesses dois anos que se passaram o sistema prisional de Mato Grosso deu um passo bastante grande na área de qualificação dos agentes e nas boas praticas nas unidades, sendo exemplo nacional.
 

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