É hora de ‘dar um salto’ no desenvolvimento da área industrial

 

 CANARANA – Os municípios mais ricos do Mato Grosso têm na agricultura sua principal fonte de renda. A industrialização está chegando a cidades que tem matéria prima vinda do campo. Montadoras de veículos, fabricantes de televisão não se instalam no Mato Grosso. O Estado recebe indústrias que beneficiam a produção agropecuária, como indústrias de biodiesel, etanol, frigoríficos de frango, gado, entre outros do ramo…

Os números das últimas safras de soja em Canarana demonstram um rápido crescimento na área cultivada com a oleaginosa. Na safra 2006/07, no auge da crise do setor, eram cultivados no Município pouco mais de 60 mil hectares de soja. Na safra 2011/12 que começa a ser semeada no mês que vem, a expectativa é de que a área alcance entre 140 a 150 mil hectares, ou seja, mais do que o dobro. Em cinco anos acredita-se que Canarana vai ultrapassar os 200 mil hectares com soja e 300 mil, somando todas as outras culturas de verão e de inverno. Alcançaremos, por exemplo, os mesmos números que Lucas do Rio Verde, hoje um dos maiores produtores de grãos do Mato Grosso.
Com a produção no campo, cidades como Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste e Sorriso, se industrializaram e a sua população cresceu, atraindo profissionais dos mais diversos ramos na prestação de serviços, que se mudaram em busca das oportunidades que os novos investimentos ofereciam. Iniciou-se uma reação em cadeia que até hoje não parou e cada vez mais novos investidores desembarcam nessas cidades.
Canarana não possui terras da mesma qualidade que municípios como Lucas, Primavera e Sorriso. Canarana e Água Boa foram algumas das primeiras cidades colonizadas no Mato Grosso, antes inclusive do que no Médio Norte, onde ficam Lucas e Sorriso, mas a nossa região ficou para trás porque os grandes investidores buscaram se instalarem em municípios com terras melhores e áreas maiores, o que eles não encontravam aqui, devido a colonização se dar em lotes na sua maioria de 400 hectares.
Porém, municípios como os já citados, ampliaram sua produção no que era possível; e os produtores, motivados sempre pela expansão, começaram a ir à busca de novas áreas, nem que sejam menores e de qualidade inferior. Nos últimos cinco anos as condições do setor melhoraram e os próprios produtores de Canarana resolveram ampliar também a área de soja. Vemos nesse cenário um aumento significativo da área plantada de soja, num ciclo que pretende prosseguir pelos próximos anos.Diante dessa realidade, políticos, empresários e a população, começam a pensar em atrair empresas para beneficiar essa produção; e sonhar também com a vinda de empresas menores que vão prestar os mais diversos tipos de serviços, trazendo melhorias em todos os aspectos para a cidade e seus moradores, preparando um futuro promissor e sólido, numa reação em cadeia que também não vai mais parar. 
Canarana avançou muito nos últimos anos na infra-estrutura da cidade, se tornando uma cidade boa para se morar, mas chegou a hora de dar um salto no desenvolvimento da área industrial. Pensando nisso e iniciando essas discussões, o JOP desta semana traz algumas informações de como está o nosso Setor Industrial. Ouvimos a responsável pelo assunto na Prefeitura Municipal, conseguimos uma cópia da Lei Municipal que trata sobre o Setor Industrial, e trazemos opiniões de moradores.
 
LEI MUNICIPAL N°243/93
A Lei Municipal n° 243/93, criou e delimitou a área industrial de Canarana. Ela foi aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo prefeito da época, Luiz Cancian.  O Setor Industrial, localizado entre o Córrego do Meio e a 1ª Agrovila, margeia dos dois lados a MT-326. Com a área, o objetivo era doar lotes aos interessados em instalar empresas ou indústrias. Entre as cláusulas que constam em lei, o terreno não pode ser transferido para outro sem a aprovação do Município e a obrigatoriedade de implantação do estabelecimento no prazo previsto sob pena do terreno voltar ao domínio do Município. Ficou estabelecida também uma comissão para a doação dos terrenos.
 
A REALIDADE ATUAL
Passados 17 anos da promulgação da lei, houve avanços, mas o resultado não é o que era esperado. Pouco mais de duas dezenas de empresas estão em funcionamento no local (tem empresas que ocupam mais de um lote). Das restantes que ganharam terreno, algumas fecharam (duas empresas) ou faliram (duas) e colocaram o imóvel a venda ou o mesmo está penhorado. Outros ganharam o terreno (três casos), mas nem chegaram a construir. Ao todo são 65 lotes, a maioria num tamanho aproximado de um hectare. Somente o frigorífico abocanhou 32 lotes dos 65 e até hoje a maior parte desses 32 lotes está sem nada em cima. Os lotes que pertencem ao frigorífico ocupam quase que todo o lado esquerdo da MT-326, pra quem sai da cidade.
Quem cuida dessa área hoje na Prefeitura Municipal, é a secretária de Agricultura. Eliane Felten disse que se hoje uma empresa quiser se instalar no Setor Industrial, não há no momento terreno à disposição. Nos casos dos terrenos que estão baldios, a maioria pertence ao falido Frigorífico Arantes e os demais (três) a investidores que ganharam, mas não construíram. Para requerer esses terrenos de volta, no caso do frigorífico, seria preciso entrar na justiça e enfrentar um custoso e longo processo. Nos outros casos isso também poderia ser feito, mas o melhor na opinião da secretária ainda é tentar resolver o problema na conversa no caso desses três lotes.
A secretária contesta a opinião de alguns de que o Setor Industrial é um fracasso. Conforme Eliane Felten, as pessoas às vezes costumam olhar os empreendimentos que não deram certo e não conseguem ver que aqueles que deram certo são maioria, e que estão hoje gerando emprego e renda para o Município. Uma saída para o problema de falta de terrenos, conforme a secretária, é o loteamento de 9 hectares que pertencem à Prefeitura, localizados em uma área atrás do armazém da Granol, no Setor Industrial. Eliane defende que nesse novo loteamento os terrenos preci-sariam ser menores e se uma empresa precisar de um espaço maior, receberia mais do que um lote.
 
 
Fonte:Jornal O Pioneiro

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