Em documento, Éder Moraes diz que esquema criminoso foi o maior de MT

Documento falsificado foi apreendido na casa de ex-secretário de Fazenda.
Possível intenção seria ameaçar e extorquir outros envolvidos no esquema.

Em um pedido de representação falsificado, o ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Éder Moraes, diz que o esquema criminoso, o qual teria intermediado junto a instituições bancárias, banco clandestino e políticos, foi o maior de todos os tempos em Mato Grosso. Com esse documento que pedia a prisão preventiva dele, Éder tinha a possível intenção de ameaçar os políticos que também teriam envolvimento com o crime, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF). No documento falsificado, consta um pedido de prisão e de busca e apreensão do procurador da República Thiago Lemos contra o ex-secretário.

Esse documento teria a finalidade de proteger Éder e tentar barrar a investigação junto ao MPF e à Polícia Federal. O réu encontra-se preso preventivamente em Brasília desde a Operação Ararath, deflagrada na semana passada pela PF, para não vir a prejudicar as investigações. O advogado de Éder não atendeu as ligações até o fechamento dessa reportagem.

“O denunciado Éder Moraes sabidamente ciente dos seus ilícitos praticados, artificiosamente criou uma peça de postulação de sua pópría prisão preventiva, narrando todos os delitos que possui pleno conhecimento que praticou”, diz a denúncia. A si próprio, ele atribuiu os crimes de coação de testemunhas, crime contra o sistema financeiro, desvio de recursos públicos, evasão de divisas, formação de quadrilha, peculato e estelionato.

No pedido de prisão preventiva falsificado que a PF apreendeu na casa de Éder Moraes durante uma das fases da Operação Ararath, Éder teria argumentado, contra ele próprio, que estava clara a participação dele no pagamento de precatórios e uso indevido de empresas para captação de recursos com o o fim de se benificiar maquiando as operações com garantias falsas.

“Para servir de exemplo, é preciso segregar por longos anos os grandes corruptos, especialmente os líderes criminosos que dilapidam os recursos públicos, considerado o maior esquema criminoso de todos os tempos em Mato Grosso que envolveu até a produção sucessiva de atos legislativos”, diz trecho do documento falsificado por Éder que foi anexado ao processo.

Investigação aponta suposta tentativa de extorquir governador e senador (Foto: Reprodução)Investigação aponta suposta tentativa de extorquir governador e senador (Foto: Reprodução)

Após a apreensão, o documento falsificado foi apresentado ao procurador Thiago Lemos e ele declarou que não tinha pedido a prisão do réu, tão menos ainda jamais tinha visto o documento. “Tomei conhecimento na data de hoje, mediante exame de cópia digitalizada a mim reservadamente enviada pela procuradora da República Vanessa Scarmagnani para conferência de autenticidade”, argumentou.

Além disso, para reforçar que o documento não havia sido emitido por ele, o procurador pontuou algumas questões, como, por exemplo, que não costuma qualificar o titular da vara como ‘Juiz de Direito’, bem como não utiliza o verbo ‘representar’ para peticionar em juízo. Também alegou que não se qualifica como ‘procurador regional da República’, pois nunca ocupou esse cargo.

Na denúncia, o MPF frisa que, no documento, Éder atribui a si mesmo a prática de fatos idênticos aos apontados no inquérito para supostamente ameaçar os cúmplices dele no esquema.

“Cumpre destacarmos a possibilidade da prática de extorsão diante desta peça falsificada ao ser apresentada aos superiores de Éder Moras (governador Silval Barbosa e senador Blairo Maggi) seja para fins de proteção ou mesmo de angariar vantagem, patrimonial, pois, em tese, já que o próprio denunciado se declara o homem do caixa em relação a estes agentes políticos seria uma forma de obter vantagem por inserir sua digital nos crimes praticados em favor do governador Silval Barbosa e senador Blairo Maggi”, diz parte do documento data de 2012. Até esta quarta-feira (28) Silval ainda não havia se posicionado sobre o assunto. Já Blairo Maggi alegou ter qualquer envolvimento com o crime.

Operador
As investigações apontam que Éder Moraes era o grande operador do esquema e, para isso, teria ‘carta branca’ do governador Silval Barbosa (PMDB) e do senador Blairo Maggi (PR-MT). Por meio das empresas de Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, eram feitos empréstimos junto a instituições bancárias, entre elas o Bic Banco, em benefício de Silval e Maggi para alimentar o que ele chamava de ‘sistema’, o qual sustentava os acordos políticos e financiava campanhas eleitorais. G1.MT

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