Em greve há 80 dias, servidores e alunos da UFMT cobram estrutura

Por conta da greve 20 mil alunos estão sem aula por tempo indeterminado. Reitora disse que analisará pauta de reivindicação e vai agendar reunião.

Professores, técnicos e estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) apontaram diversos problemas de estrutura nos campi da instituição durante reunião com a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder, nesta terça-feira (18). Os servidores estão em greve há 80 dias e entregaram um documento com mais de 40 reivindicações, entre eles, reajuste salarial. Porém, a paralisação segue por tempo indeterminado.

Com a greve, 20 mil alunos estão sem aula nos campi da UFMT em Sinop, Barra do Garças, Cuiabá eRondonópolis. De acordo com a Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), o movimento pede reajuste salarial de 27%, autonomia das decisões das universidades federais e a reestruturação da carreira. O governo federal ofereceu 21% de aumento dividido em quatro anos, mas a proposta foi rejeitada pela categoria.

“Vamos entregar à reitora oficialmente nossa pauta de reivindicações, discutidas em várias assembleias, e levar ao conhecimento dela nossas cobranças. É uma oportunidade de discutir o cotidiano. Em 10 anos, por exemplo, a UFMT dobrou a quantidade de alunos e não ocorreu a ampliação de contratos e estrutura física. Estamos lutando por questões financeiras, mas não é só isso. Temos problemas adversos”, pontuou o presidente da Adufmat, Reginaldo Silva de Araújo.

Ele destacou que os servidores mantêm diálogo com o governo federal sobre a pauta de reivindicação desde o último ano, quando também ocorreu uma paralisação, entretanto, ressalta que as questões não avançaram. Os servidores do Sindicato dos Trabalhadores Técnicos e Administrativos da UFMT (Sintuf-MT) também estão em greve desde o dia 28 de maio.

A reitora da UFMT, Maria Lúcia Cavalli Neder, garante estar aberta ao diálogo e que vai analisar a pauta de reivindicação entregue pelos professores, como também, pelos alunos. Após isso, segundo ela, deverá ser agendada uma nova reunião com a categoria para discutir o andamento da greve. “Estamos propondo um diálogo aberto e franco para construir possibilidades de atendimento da pauta. Todo momento de crise permite que você avance. Eu sou reitora, mas sou professora também”, observa.

Campi

Estudantes também aproveitaram a ocasião para cobrar a reitora sobre os problemas enfrentados por eles nos campi, como laboratórios sucateados, falta de livros nas bibliotecas, falta de professores, além de questões de infraestrutura. A universitária Tais Brasil, que faz o curso de direito no campus de Barra do Garças, citou as dificuldades para a permanência dos alunos pela falta de transporte e pelo fechamento do Restaurante Universitário (RU).

“Pedimos que nossa cobrança seja olhada com muita atenção. No transporte e o RU, por exemplo, precisamos de condições mínimas e básicas para a permanência do aluno. Temos apenas cinco professores, nossa biblioteca está sem livro, e por conta da situação, o curso de engenharia civil poderá acabar”, relatou.

A estudante Amandla Sousa, que cursa veterinária em Sinop, a 503 km de Cuiabá, apontou a situação do hospital veterinário, que não estaria funcionando. Segundo ela, faltam equipamentos, técnicos, e materiais para as aulas.

Por outro lado, a reitora rebateu as questões e informou que  a UFMT tem destinado verbas para todas as áreas mencionadas. Sobre as bibliotecas, Cavalli disse que repassou o valor de R$ 2 milhões para a aquisição de livros e que o problema não seria a falta de financiamento. “A dificuldade as vezes é com a empresa licitada e também com as editoras que não entregam os livros no período”.

Quanto ao hospital veterinário, ela destaca que a unidade recebe verba própria e que o recurso é distribuído nos setores. Entre as reivindicações da Adufmat também está a solicitação de concurso público, bolsas para pós-gradução e doutorado para docentes, melhorias no hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), disponibilizar o Teatro Universitário para atividades acadêmicas e outras.

A UFMT tem cerca de 20 mil alunos e 1.800 professores, sendo que 1.700 concursados e 100, substitutos. A decisão da Adufmat pela greve seguiu uma deliberação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), que realizou uma assembleia, em Brasília, no dia 16 de maio. Ficou definida a deflagração de uma greve nacional nas instituições federais desde então. A última greve nacional dos docentes ocorreu em 2012 e durou quatro meses. G1 MT / KELLY MARTINS

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