Entenda a operação que envolve o governador e outros políticos de MT

Ararath investiga esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros.
Há pelo menos 59 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas.

Pelo menos 59 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por crimes financeiros e lavagem de dinheiro na Operação Ararath, que chega à sua quinta fase. Entenda a operação:

O QUE É

A Operação Ararath investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros em Mato Grosso. Factorings (que compram títulos, aquisição de ativos, como duplicatas, cheques, decorrentes de vendas mercantis ou de prestação de serviços) de fachada atuavam como “bancos clandestinos”, fazendo empréstimos fraudulentos

O SIGNIFICADO

Ararath é o nome de um monte na Turquia onde, segundo a Bílbia, foi encontrada a Arca de Noé (nome dado a outra operação da PF no estado contra o então bicheiro João Arcanjo, que também foi acusado de fazer movimentações ilegais utilizando factorings).

AS INVESTIGAÇÕES E AS FASES DA OPERAÇÃO

Segundo a Polícia Federal, a base do esquema era uma da factorings, com sede em Várzea Grande (MT), que acabou fechando as portas em 2012, um ano após o início das investigações.

Onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos em 12 de novembro do ano passado, na primeira fase. No dia 25 do mesmo mês, outros sete mandados foram expedidos. Entre eles foram cumpridos um na cada de um juiz federal e um na do presidente do Detran-MT. Em 16 de dezembro, mais sete foram cumpridos. Em 19 de fevereiro, outros 24 mandados foram expedidos (17 em MT e 7 em GO, SP e DF). Nesta terça (20), além de novos mandados, duas prisões cautelares foram efetuadas (Éder Moraes, ex-secretário da Fazenda, e José Geraldo Riva, ex-presidente da Assembleia Legislativa). O governador Silval Barbosa também foi preso em flagrante por estar com uma arma com registro vencido, mas foi liberado após pagar fiança.

O OPERADOR DO ESQUEMA

A Procuradoria da República afirma que o empresário Gercio Marcelino Mendonça Filho é o operador do esquema. A empresa dele era usada por políticos para o empréstimo de dinheiro em troca de benefícios, segundo a denúncia. Ele firmou com o Ministério Público Federal e com a Polícia Federal um acordo de delação premiada. A partir de então, ele passou a colaborar com informações para a investigação.

AS DESCOBERTAS

Segundo a PF, o dinheiro era movimentado nas contas das factorings e de outras empresas dos integrantes do esquema, entre elas uma rede de postos de combustíveis de Cuiabá. Em seis anos, foram movimentados mais de R$ 500 milhões, apontam as investigações.

A Procuradoria da República investiga a suspeita de que políticos tentaram ocultar dinheiro para aplicar em campanha eleitoral.

Uma parte da investigação também identificou uma negociação para a “compra” de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. A PGR aponta que o ex-deputado estadual Sérgio Ricardo de Almeida pagou R$ 4 milhões para ficar com a cadeira que pertencia a Alencar Soares Filho. Ainda segundo a PGR, o senador Blairo Maggi também ofereceu R$ 4 milhões para que Alencar permanecesse no cargo. A negociação foi feita por Eder de Moraes Dias, ex-secretário de Fazenda, a pedido de Maggi, que na época governava Mato Grosso, diz a PGR.

Foi por suposto envolvimento do senador Blairo Maggi que o caso acabou chegando ao STF, já que o parlamentar tem foro privilegiado.

OS INVESTIGADOS

Há pelo menos 59 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas. Entre eles estão o governador Silval Barbosa (PMDB), o prefeito Mauro Mendes (PSB), o senador Blairo Maggi (PR), o ex-secretário da Fazenda Éder Moraes, o conselheiro do TCE Sérgio Ricardo de Almeida e o deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

O prefeito nega a tentativa de ocultar o recebimento de valores e diz que declarou no imposto de renda o empréstimo e o repasse do valor para a campanha eleitoral.

O governador afirma que ainda não teve acesso aos autos. Ele foi preso durante a operação após a PF encontrar uma arma com registro vencido em sua casa, mas pagou fiança e foi liberado.G1.MT

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