Entre a música e estudos, jovem é convocada para seleção de basquete

Mariana Laimer da Rosa joga basquete com o pai e os irmãos desde os 5 anos de idade. Hoje, com 13, foi convocada para a seleção mato-grossense sub-15 e se prepara para disputar o Campeonato Brasileiro em Santa Catarina.

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Apesar do amor pelo esporte, nem tudo são certezas na carreira da jovem. Além do basquete, Mariana toca violão, pensa em seguir uma carreira artística e ainda tem uma terceira opção paralela para o futuro. “O irmão dela vai prestar vestibular para engenharia civil e ela está se identificando. Então ela está em um mundo que o esporte está ativo, por outro lado, é muito nova, tem 13 anos”, afirma o pai, Marcos da Rosa.

“Ela está em um momento da vida que não tem que definir nada, tem é que continuar estudando”, completa o pai. Mariana corrobora a indefinição, mas revela uma esperança de seguir jogando basquete. “Após o Campeonato Brasileiro, vou juntar tudo, juntar esses três e continuar treinando [basquete, música e estudos], mas talvez venham propostas depois do brasileiro”, diz.

Além das incertezas, Mariana ainda tem que driblar a distância dos grande centros. Moradora de Canarana, a 850 quilômetros de Cuiabá, a jovem não conta com apoios ou patrocínios para seguir a carreira de esportista.

“Nós moramos a 850 quilômetros daqui, o treinador é de Sorriso, ela não tem idade para ir para Sorriso sozinha, então se ela escolher o esporte, vai ter que ser no sacrifício, perdendo algumas aulas”, diz o pai. “Apareceu uma oportunidade num momento difícil da vida, que não tem como ela se desprender dos pais e nem tem como a gente largar ela, então tem que ver como a gente vai conduzir essa situação”, completa.

Para o pai, a Secretaria Municipal de Esportes de Canarana, que incentivou os jovens do município a participar dos jogos nos quais a garota foi descoberta, poderia contribuir neste momento. “O Estado é muito grande, não tem apoio. A Secretaria de Esportes do município incentivou para que as escolas participassem dos jogos estudantis, regionais e estadual. Ela teve que fazer toda essa volta de 1.400 quilômetros de Canarana para Sinop para disputar o estadual. A secretaria incentivou e quando chegou nesse momento ela está abandonada”, reclama.

“Ninguém está ajudando ela a pagar conta, a conduzir o processo. Qual é a responsabilidade do município, já que ele incentivou? E se saem outras crianças como ela, com potencial de se fazer alguma coisa? Qual o cuidado que o município está tendo com esses potenciais? Jogam a batata quente nas mãos dos pais e os pais têm que arcar com tudo, inclusive com as despesas inerentes a esse processo todo”, declara.

O pai relata que teve auxílio parcial da prefeitura de Canarana. “O município ajudou, colocou um ônibus inadequado para trazer os alunos do basquete e do futsal. 1.350 quilômetros para ir aos [jogos] estaduais em Sinop. Quando você chega aos locais, tem alojamento e tem comida, mas a partir desse processo, ela está só. Levei ela por conta própria a Sinop na semana passada, até aqui foi por conta da gente”, diz.

Os jogos do campeonato brasileiro de basquete começam no próximo dia 22 e Mariana já está treinando com a seleção mato-grossense. Apesar da habilidade no esporte, nada está definido, já que os desafios são muitos e ela só tem 13 anos.

“A gente não buscou, até pra entender qual a responsabilidade do Estado nisso tudo. Ninguém nunca ligou. Se incentiva para que o cidadão participe de qualquer processo, ele tem que ir até o final, ou ele não tenha a resposabilidade de incentivar. Depois que ela se apresenta é por conta da federação, mas até aqui houve incentivo, mas não houve responsabilidade”, lamenta. olhardireto.

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