Estudo diz que por 5 anos soja não afetou desmate da Amazônia em MT

Estudo com participação brasileira divulgado nesta terça-feira (10) pela revista da Academia Americana de Ciências afirma que a expansão agropecuária no estado de Mato Grosso, com foco no plantio da soja, não influenciou diretamente o desmatamento da floresta amazônica entre 2006 e 2010. Segundo o artigo, a implantação do pacto da “Moratória da Soja”, o reforço na fiscalização ambiental e utilização do sensoriamento remoto em tempo real (Deter) para conter o avanço do desmate, além de investimentos para a mecanização da agricultura foram decisivos para combater a derrubada ilegal de árvores no bioma.

Neste período, “a média histórica do desmate diminuiu, enquanto que a produção agrícola atingiu índices nunca vistos”, segundo o artigo, elaborado por pesquisadores da Universidade Columbia, da Agência Espacial Americana (Nasa), ambas dos Estados Unidos, além do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), os dois últimos do Brasil.

Outra influência apontada como responsável pela redução do desmate foi a desvalorização da soja entre 2006 e 2007, devido a um desaquecimento da demanda mundial. Com isso, não houve necessidade de expansão para novas áreas.

“Tentamos entender como houve redução do desmate e, ao mesmo tempo, crescimento das áreas de plantio e pecuária. O que percebemos é que houve um melhor planejamento no uso de terras já disponíveis (áreas que já haviam sido desmatadas e que foram preparadas para a agricultura e pastagem”, disse Yosio Shimabukuro, pesquisador-titular da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe, de São José dos Campos (SP).

Mato Grosso, que está situado dentro da fronteira agrícola do Centro Oeste, é líder na produção de soja (31% de toda a safra brasileira) e de carne (em 2009, 13% de todo o rebanho bovino estava lá).

Segundo dados do Prodes, utilizado pelo Governo Federal para criação de políticas de proteção na Amazônia Legal, 76.571 km² da cobertura vegetal do bioma foram derrubados entre 1996 e 2005 (média anual de 7.657,1 km²). Já entre 2006 e 2010, o total de cobertura vegetal derrubado foi de 12.189 km² (média anual de 2437 km²).

“Houve investimentos para melhorar a qualidade da terra. Investimentos em tecnologias de plantio aumentaram a produtividade sem afetar áreas de floresta. Isso mostra que existe terra suficiente para plantio sem a necessidade de desmatar”, explicou Shimabukuro.

Ainda segundo o pesquisador, é necessário planejar melhor as técnicas de agricultura, mas, principalmente, a pecuária, considerado pelo estudo como o principal responsável pela derrubada de áreas de floresta na região.

“Tem que melhorar as formas de pastagem e investir na qualidade do que é plantado para o gado. Com isso, as áreas voltadas para esta finalidade suportariam mais cabeças (de gado)”, comenta o pesquisador.

 24 Horas News

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