Falta de genética e mão-de-obra atrapalha pecuária leiteira de MT

Pecuaristas de Mato Grosso estão expandindo os negócios da produção de gado de corte para matrizes leiteiras. O motivo é que o setor de leite no estado vem se mostrando bastante crescente e atrativo. Para acompanhar a demanda, alguns produtores acreditam que é o momento certo para investir no segmento e aplicar recursos na área da genética animal. O objetivo é oferecer ao mercado vacas leiteiras de alta qualidade e produtividade.

O presidente da Associação Mato-grossense de Criadores de Gir, Luiz Henrique Vargas, explica que o preço de uma novilha para corte custa entre R$ 1 mil e R$1,5 mil, já a novilha leiteira pode ser vendida com preço acima de R$ 3 mil. “Faltam produtores de genética leiteira no estado e existe muita procura pelo animal. Alguns pecuaristas já perceberam isso e estão ampliando os tipos de produtos para o mercado visando lucro em outros segmentos”.

Vargas afirma que Mato Grosso tem potencial para ser a maior bacia leiteira do Brasil, mas para isso alguns problemas devem ser solucionados. “O estado detêm dos componentes da ração [soja, milho, algodão, etc.] em abundância e com isso o custo de produção fica mais baixo. O que nos impede de crescer na produção é a baixa oferta de genética leiteira e a escassez de mão-de-obra, como ordenhadores e pessoas que saibam lidar com vacas”.

Na perspectiva do representante do setor, no ritmo em que está, Mato Grosso alcançaria a primeira colocação no ranking nacional em produção leiteira entre 10 anos e 15 anos. “Se houvessem mais interessados no setor com certeza este tempo diminuiria”.

De acordo com o Insituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a captação leiteira teve incremento de 14% no estado em dezembro de 2012, quando foi registrado um volume de 1,36 milhão de litros diários, em comparação com o mês anterior, que foi de 1,19 milhão de litros/dia. O maior produtor de leite do Brasil é o estado de Minas Gerais com mais 5,5 milhões de litros de leite apenas em 2012. Mato Grosso segue ainda na oitava posição.

Na visão do produtor

O pecuarista Getúlio Vilela de Figueiredo, dono de uma fazenda na região de Juara, a 690 quilômetros de Cuiabá, afirma que esse é o melhor momento para se investir na área. Segundo ele, é preciso que as propriedades atendam algumas adequações. “O criador que for investir no desenvolvimento de gado leiteiro tem que ter instalações adequadas e oferecer a quantidade de ração necessária, se não, não tem como obter resultados positivos”.

Getúlio Vilela explica ainda a importância do melhoramento genético. “Buscar touros do tipo holandês para fecundar com as vacas leiteiras é que eu faço para aumentar a produtividade. O cruzamento destes dois tipos faz com que uma matriz consiga atingir um rendimento de até 15 quilos de leite por dia, se ordenhado de manhã e a tarde”. A média nacional de produção é de cinco quilos por dia. De janeiro a maio deste ano ele já conseguiu procriar cerca de 1 mil novilhas, mas espera aumentar esta quantidade nos próximos anos. O fazendeiro que investiu com recursos próprios, diz que para tentar resolver o problema de falta de mão de obra para o setor buscando pessoas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro para trabalhar no estado. Na opinião dele, o problema não esta restrito somente a Mato Grosso.

Financiamento para o setor

Existem três linhas de crédito que são indicadas para agricultores familiar, pequenos, médios e grandes pecuaristas, na compra de matrizes leiteiras e melhoramento genético, oferecidas pelo Banco do Brasil (BB). São elas:

1) O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) Rural, que oferece ao grande produtor uma taxa 3,53% ao ano , válido até junho deste ano. Mas a partir de 01 de julho o juro cobrado sofre uma alteração e sobe para 4,12% ao ano. Podendo atingir um teto de R$ 20 milhões por tomador, com prazo de seis anos e carência de dois.

Para o pequeno produtor as condições são as mesmas exceto pelo taxa de juros que a partir do segundo semestre deste ano é que custará 3,5% ao ano, mas se for paga até vencimento ela continua com o desconto de 15%.

2) O Manual de Crédito Rural (MCR) 6-2 destinado ao uso em investimentos de máquinas e implementos em feiras agropecuárias. O MCR pode ser usado beneficia pessoas físicas e jurídicas e pode atingir um teto de até R$ 600 mil com taxa de 8,75% ao ano. O prazo de pagamento é de três anos para máquinas e de dois anos para animais.

3) Já para o agricultor familiar a mais indicada é o Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf), que pode atingir um teto de R$ 100 mil por CPF, com prazo de até seis anos e carência de dois para pagamento. Os juros são de 2,5% ao ano, com desconte de 15% se pago dentro do prazo.

Produtoras de leite

As vacas mais indicadas para a produção de leite são as do tipo Girolando e Gir leiteira. Mesmo sendo animais com origem em país de temperaturas baixas, estes dois tipos conseguiram se adaptar bem ao calor de Mato Grosso. A diferença entre as duas é o preço de aquisição. As do tipo Girolando são mais baratas que as do tipo Gir leiteira.

Porém, ter a vaca ideal para produção não basta. De acordo o presidente da Associação Mato-grossense de Criadores de Gir, Luiz Henrique Vargas, é importante que o produtor de leite esteja próximo de algum laticínio. “Isso reduz o custo em transporte, mesmo não sendo próximo dos grandes centros”. Agro Debate

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