Falta de mão de obra é problema grave no campo; salário chega a R$ 3 mil

 

Máquinas modernas no campo


Em Mato Grosso, um operador chega a ter um salário fixo de R$ 1,8 mil, mais duas horas extras diárias, participação nos lucros, alimentação, hospedagem e seguro de saúde gratuitos.

A cada ano, as montadoras que atuam no setor de máquinas agrícolas anunciam lançamentos e investimentos pesados em tecnologia. Para adquiri-las, até o Governo Federal ajuda o produtor, com suas inúmeras linhas de financiamentos, inclusive para os pequenos produtores rurais. Mas um problema maior surge após a compra destas máquinas: a falta de mão de obra especializada para operá-las. Em Campo Novo dos Parecis, região Oeste de Mato Grosso, uma das fronteiras agrícolas do Estado, o problema é frequente.

“A falta de mão-de-obra especializada para operar este tipo de máquina é um problema. Todos os anos, buscamos trazer pessoas de outras regiões do país para operar as máquinas”, explica o engenheiro agrônomo Tiago Rodrigues, que coordena a colheita de soja em uma fazenda de 52 mil hectares no município.Diferentemente do que eram no passado, as máquinas de hoje já chegam na propriedade rural imbuídas de tecnologia de ponta. As cabines são refrigeradas e dentro delas, há computadores de bordo, monitores com recepção via satélite, rádios comunicadores de última geração, telefone. Tudo isso pode, inclusive, estar ligado em um sistema de rede, controlado de um escritório.

É uma espécie de robô, que calcula distâncias entre os sulcos, profundidade da cova da semente ou se adaptam a diferentes tipos de terrenos. Mas o que era pra ser uma vantagem, acaba se tornando um problema porque não há, no mercado, pessoas capacitadas para operar estas máquinas.

Segundo o agrônomo, a falta de mão de obra está valorizando cada vez mais a profissão de operador. Em Mato Grosso, um operador chega a ter um salário fixo de R$ 1,8 mil, mais duas horas extras diárias, participação nos lucros, alimentação, hospedagem e seguro de saúde gratuitos. “Em média, é possível tirar algo em torno de R$ 3 mil ao mês”, diz.

Somente em sua área, no período de colheita, Tiago precisou contratar 45 operadores de máquinas. “Tem sido uma tarefa cada vez mais difícil. Não basta apenas saber operar, tem que ser zeloso, cuidadoso. Cada máquina desta vale uma fortuna”, explica.

Foi pelo mesmo motivo, a falta de mão-de-obra e de pessoas zelosas, que o advogado e produtor rural Rodrigo Becker decidiu abandonar o escritório para operar a colheitadeira de soja, em Cruz Alta (RS). Rodrigo e o tio, Ailton Becker, são sócios e enfrentam dificuldades em contratar funcionários todos os anos. “Em toda a nossa região, temos um, apenas um funcionário disposto a trabalhar na colheita. Ninguém quer fazer este trabalho ou ainda, não há quem saiba mexer nestes botões todos”, afirma Becker.

No período da colheita, Rodrigo chega a trabalhar 12 horas por dia. No escritório, sua jornada seria menor, mas ele não reclama. “Uma máquina tão valiosa como esta tem que ficar em mãos de quem tem cuidado. O produtor rural tem que trabalhar muito pra comprar uma máquina desta, não podemos deixar sob os cuidados de quem não conhece o sistema”.

Na Região Sul, um operador de máquina recebe, em média, R$ 2,2 mil mensais.

Globo Rural
Redação 24 Horas News

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