Famílias retiradas de Mãraiwatsédé em MT dizem que lotes são precários

Os fazendeiros, produtores e trabalhadores rurais que deixaram a terra indígena Marãiwatsédé, declarada pela Justiça como pertencente aos xavantes, denunciaram nesta segunda-feira (7) que os loteamentos para onde estão sendo levados apresentam estrutura precária. No município de Bom Jesus do Araguaia, a 983 quilômetros de Cuiabá, o loteamento doado pela prefeitura não conta com rede de esgoto, água e energia elétrica.

De acordo com o prefeito, Joel Ferreira, muitos lotes ainda estão em áreas irregulares. “Nós iremos passar um pente fino e fazer um recadastramento dessas pessoas para que seja um loteamento justo e organizado”, garantiu.

O prazo para a desocupação da terra indígena terminou na última sexta-feira (4) terminou nesta última sexta-feira (4). O produtor José Soares Filho, por exemplo, vendeu mais de mil cabeças de gado e desmanchou o curral. Ele quer levar tudo que pode ser aproveitado, mas ainda não sabe onde vai viver com a família. “É muita tristeza, muito dolorido. Quando você vê suas coisas todas assim, indo embora. Quando chegou as carretas para ir, minha esposa e eu desmoronamos”, contou.

Para abrigar as famílias que estavam na reserva indígena, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ofereceu uma área em Ribeirão Cascalheiraa 150 quilômetros da região, mas quem foi para lá diz que no local existem famílias assentadas e que as terras não são produtivas. “Aquela área não presta. Tenho 64 anos e entendo de terra e aquela não presta para nada. Nem se calcarear ela, não dá certo”, disse o produtor Edvaldo Paulino.

Muitas famílias alugaram casas no município de Bom Jesus do Araguaia, mas reclamam da falta de ajuda. O trabalhador Fernando José da Silva, a esposa e os dois filhos vão pagar R$ 350 por três cômodos mensalmente. “O certo era eles pegar e indenizar. Pelo menos dar uma casa para morar. Nos colocaram todos na rua. Sem saber para onde ir”, ressaltou.

Desocupação de Marãiwatsédé

O processo de desocupação dividiu a Terra Indígena de Marãiwatsédé, do povo Xavante, em quatro áreas. Pelo plano, foram desocupadas primeiro as grandes propriedades, seguidas pelas médias e pequenas. A comunidade de Posto da Mata foi a última a ser desocupada.

A área em disputa tem uma extensão aproximada de 165 mil hectares. Ainda de acordo com a Funai, o povo xavante ocupa a área Marãiwatsédé desde a década de 1960. Nesta época, a Agropecuária Suiá Missu instalou-se na região. Em 1967, índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e lá permaneceram por cerca de 40 anos.

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