Funcionários de confiança formavam quadrilha na Sema

A Polícia Civil desarticulou uma quadrilha composta por servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).


Os funcionários, que exerciam cargos em comissão, são acusados de desviar 68.661,76 litros de combustível, corrupção passiva, peculato, transporte ilegal de peixes, além de fazer vistas grossas à fiscalização da pesca predatória e outros crimes ambientais, mediante o recebimento de propinas.

Quatro servidores em cargos de comissão – Juailson Campos Ortiz, vulgo “Ferpa”, João Santana de Oliveira, Celso de Souza Pinheiro Ferreira e João de Deus Correia da Silva – atuavam no setor de fiscalização florestal e são acusados de fazer vista grossas em ações no Norte de Mato Grosso.

João de Deus, inclusive, já ocupou o cargo de chefe de Fiscalização de Pesca da Sema.

De acordo com as investigações, no contexto da operação denominada “Natureza”, desde simples aceros, queimadas e desmatamentos eram ignorados pelos fiscais, que praticavam corrupção passiva.

O delegado da Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema), Vitor Hugo Bruzulato Teixeira, já pediu a quebra de sigilo fiscal dos envolvidos para saber a extensão do prejuízo causado. “Um levantamento da Auditoria Geral do Estado (AGE) identificou que uma série de motores com defeito ou que não foram encontrados teve um gasto total de R$ 210.393,05 com combustível”

Além destes quatro, outros servidores da Sema, Odílio Jesus da Silva Vieira, o “Marrom”, Marcos Vicente da Silva, Ismael Martins de Almeida Filho (foragido) e Salvino Vicente de Almeida são acusados, ao lado de João de Deus Correia Silva, desviar combustíveis.

Um levantamento feito pela Auditoria Geral do Estado (AGE), nos processos de abastecimento de combustíveis realizados pelos servidores da Sema em motores de barcos, no período de julho de 2011 a outubro de 2012, identificou que uma série de motores com defeito ou que não foram encontrados tiveram um gasto total de R$ 210.393,05.

Os servidores continuavam utilizando cartões de abastecimento para barcos a motores em desuso, com defeito ou desaparecidos.

Outro servidor público, Carlos Henrique Modesto da Silva, o “Schumacher, responde” pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele é acusado de receber vantagens indevidas para não fiscalizar ou para passar informações privilegiadas sobre as fiscalizações da Sema.

A delegada Maria Alice Amorim explicou que eles utilizavam os cartões de abastecimento indevidamente. “Os barcos ficavam no rio e o combustível era transportado em tambores. O óleo diesel precisava ser misturado com a gasolina, contudo, o combustível mais usado era gasolina”, disse.

Prisões

Das 15 prisões temporárias autorizadas pela Justiça, cinco ainda não foram realizadas.

Além dos servidores e ex-funcionários da Sema, a Policia prendeu o presidente da Colônia de Pescadores Z5 de Barão de Melgaço (113 km ao Sul de Cuiabá), Domingos Antonio de Oliveira, o “Capim”.

Ele recebia informações privilegiadas dos fiscais sobre quando haveria fiscalização na região. Ele já responde inquérito policial por pesca predatória e por ser um “atravessador” ao transportar peixe ilegal.

Também foi preso, temporariamente, o proprietário da loja Comercial Santos Leite, em Cuiabá, Luiz Cláudio dos Santos Leite, pelo crime de comércio ilegal de peixe. No estabelecimento, a Polícia Civil apreendeu 18 kg de pescado ilegal.

Antonia Terezinha de Souza, proprietária da Peixaria Beira-Rio, em Barão de Melgaço, só não foi presa porque está hospitalizada. “É uma senhora e achamos melhor, por uma questão da saúde dela, não ir ao hospital”, explicou a delegada Maria Alice.

Dos quatro atravessadores de peixe ilegal, apenas o presidente da Colônia da Pescadores foi encontrado.

Estão foragidos Antônio Benedito da Silva, o “Fló”, Celso Luiz Brito e Jakcjs de Amorim Arruda, o “Caveirão”. Na casa dele, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, a Polícia Civil apreendeu 100 kg de pescado, entre pintado e cachara.

O pedido da investigação partiu do Ministério Público Estadual. Os presos serão encaminhados para o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), pois não há vagas na Polinter. Olhar 21

 

 

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