Governo declara emergência fitossanitária em Mato Grosso

Medida visa implementação do plano de supressão contra Helicoverpa.
Portaria de número 1.136 foi publicada nesta segunda (18) no DOU.

Helicoverpa em planta de algodão não destruída em Mato Grosso (Foto: Wanderlei Dias Guerra/Mapa)

O governo federal declarou estado de emergência fitossanitária em Mato Grosso em função dos ataques da lagarta Helicoverpa armigera nas áreas produtoras. A portaria de número 1.130, assinada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, foi publicada nesta segunda (18) no Diário Oficial da União, sendo válida para todo o Estado. No último dia 04, o oeste baiano também teve reconhecido o mesmo estado de emergência.

A medida terá prazo de um ano para implementação do plano de supressão da praga e adoção de medidas emergenciais. Ou seja, mecanismos para reduzir a população da praga. Entre elas, a importação de agrotóxicos com o princípio ativo benzoato de emamectina. As aquisições dos produtos foram regulamentadas pelo governo por meio do Decreto 8.133 (autoriza a decretação mediante situação de risco).

Há poucos dias, o governo mato-grossense solicitou ao Mapa, a declaração de emergência para a Helicoverpa armígera, com base na Lei 12.873, de 24 de outubro deste ano.

Esta lei autoriza o Poder Executivo federal a declarar estado de emergência fitossanitária ou zoossanitária, quando for constatada situação epidemiológica que indique risco iminente de introdução de doença exótica ou praga quarentenária ausente no país, ou haja risco de surto ou epidemia de doença ou praga já existente.

Com base nos argumentos dos órgãos de vigilância sanitária vegetal no Estado (Instituto de Defesa Agropecuária e o próprio Mapa) e das exposições feitas pelas entidades do setor produtivo, foram buscadas medidas que pudessem apoiar o controle da praga nas lavouras de algodão e soja, além de outras. Produtores mato-grossenses já relatavam dificuldades de controle e manejo com produtos disponíveis no mercado e a insuficiência dos recursos.

Entidades agrícolas do Estado já haviam pedido providências do governo quanto à possível declaração, da mesma maneira como ocorrido no oeste da Bahia. Em 6 de novembro, em expediente encaminhado ao Mapa, as Associações dos Produtores de Algodão (Ampa/MT) e de Soja e Milho (Aprosoja/MT), solicitavam “com a máxima urgência a edição de portaria dirigida a Mato Grosso, nos moldes da portaria 1.059, de 31 de outubro de 2013, que declarou emergência fitossanitária no oeste baiano”, segundo consta no parecer técnico da Divisão de Prevenção, Vigilância e Controle de Pragas.

“A ocorrência dessa praga em nosso Estado está causando enormes prejuízos à agricultura mato-grossense responsável pela produção de 29% da soja, 28% do milho e 50% do algodão produzidos no Brasil”, argumentaram as associações.

Um documento assinado pelo entomologista Miguel Ferreira Soria, do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), subsidiou o relato quanto à situação epidemiológica no Estado. No expediente técnico, datado de 7 de novembro deste ano, o pesquisador dizia ser “de extrema urgência que medidas pró-ativas de combate ao complexo Helicoverpa spp. sejam tomadas, objetivando-se evitar perdas econômicas e manter a praga sob controle no agroecossistema mato-grossense, já que o estado tem participação em 30% da produção de grãos do país e 50% na produção de fibra.”

Além da declaração
Coordenador da Comissão de Defesa Sanitária do Mapa em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra avalia que não apenas a importação do benzoato vai ajudar no combate da lagarta. Segundo ele, o produtor precisa adotar medidas mais amplas, como o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

“O benzoato será uma nova ferramenta, mas o produtor também precisa realizar outras ações. Por exemplo, o manejo,  pelo qual você usa as técnicas de controle e não apenas um produto químico. É preciso rotacionar os grupos químicos, fazer o vazio sanitário, destruir plantas guaxas, produtos, fazer o monitoramento nas áreas”, disse.

Segundo o coordenador, a importação e uso de novos inseticidas não ocorrerão de forma indiscriminada, já que serão destinados apenas às localidades onde há indícios de perdas econômicas pela Helicoverpa. G1.MT

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