Greve dos Correios em Mato Grosso atrasa entrega de 120 mil cartas

Sindicato diz que 65% dos funcionários aderiram à paralisação no estado.
Correios entrou com uma ação para tentar julgar a greve ilegal e abusiva.

Por conta da greve dos funcionários dos Correios, cerca de 120 mil cartas podem sofrer atraso na entrega em todo o estado. Segundo a assessoria da empresa, aproximadamente 800 mil cartas simples são recebidas diariamente nas unidades de Mato Grosso. Quanto às encomendas urgentes, a entrega está em dia, como garantiu a assessoria. A greve dos funcionários dos Correios em Mato Grosso completou cinco dias nesta terça-feira (4).

O número de cartas atrasadas equivale a 14% do montante que circula nas unidades do estado. No entanto, a empresa alegou que os trabalhos têm sido na intenção de ‘suavizar’ o impacto causado pela paralisação. Para isso, funcionários que não aderiram ao movimento estão sendo remanejados para as unidades desfalcadas e mutirões estão sendo realizados nos fins de semana. No último final de semana, cerca de 200 mil cartas simples foram entregues.

Os funcionários deflagraram a greve na última quinta-feira (30). Entre as reivindicações da categoria estão o pagamento dos passivos do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) relativos ao ano de 1995 e a não privatização do plano de saúde. Além disso, a categoria pede mais segurança nas agências e que a entrega de cartas seja feita apenas no período da manhã.

Sobre o PCCS, a assessoria dos Correios emitiu nota dizendo que desde janeiro de 2011 a empresa já está incorporando as referências salariais aos trabalhadores que preenchiam os requisitos estabelecidos pela Justiça. E que os valores retroativos ainda serão definidos pela Justiça, em processo de cálculo com a participação dos Correios e sindicato.

Quanto ao plano de saúde, a empresa alega que está cumprindo o que foi definido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), em 2013, onde todos os benefícios seriam mantidos, incluindo dependentes cadastrados, porcentagem de compartilhamento, não cobrança de mensalidade ou tarifas, rede credenciada e cobertura de procedimentos entre outros.

Já sobre questão da segurança, a assessoria informou que os Correios estão investindo cerca de R$ 240 milhões entre os anos de 2013 e 2014. E que um acordo foi assinado com a Polícia Federal no ano passado para a implantação de ações integradas para prevenção e repressão de roubos a carteiros e assaltos a agências. Para isso, um plano piloto estaria sendo montado em parceria no estado do Piauí.

De acordo com a empresa, cerca de 9% dos funcionários do estado aderiram a paralisação. No entanto, o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Mato Grosso (Sintect-MT), Alexandre Aragão, em todo o estado, a porcentagem de adeptos está em torno de 65%. “Acontece que do total de funcionários, uma parcela está aposentada, outra está de férias e alguns de licença. Com isso, o número real de trabalhadores diminui, impactando diretamente nos números divulgados”, alertou o coordenador. No total, há 1.693 funcionários nos Correios em todo o estado.

Negociações
O diretor regional adjunto dos Correios de Mato Grosso, Dilson Antônio Leocádio da Rosa, alega que o sindicato tem se mostrado fechado para negociações. Por outro lado, Aragão contesta dizendo que a categoria estaria apenas à espera de um chamado da empresa para estabelecer um diálogo. “Não é o sindicato que não quer conversar”, rebateu o coordenador.

O diretor também informou que a central dos Correios, em Brasília, entrou com uma ação no Tribunal do Trabalho, no sentido de julgar a greve como abusiva e ilegal. “Isso é uma questão mais política, já que temos o acordo de 2011. Além disso, eles estão indo nas unidades em busca de novas adesões”, comentou. Sobre isso, o Aragão comenta que se trata de mais um boato da empresa, já que todas as normas teriam sido cumpridas, no sentido de emitir comunicados aos funcionários e à empresa alertando sobre a paralisação. “Fazemos greve há mais de 30 anos, não seria por isso que considerariam o movimento ilegal”, frisou Aragão.

Ações
Aragão comentou que o sindicato deve organizar uma caravana com alguns funcionários para ir até Brasília (DF) para protestar, mas não informou uma data para a ida. Ele disse também que a expectativa do sindicato é que as demais unidades dos Correios do estado também integrem o movimento. Para isso, os setores que não entraram em greve deve ser contatados, na tentativa de novas adesões.

Uma assembleia está prevista para acontecer nesta terça-feira, na Praça da República, região central de Cuiabá. G1.MT

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