Índios ameaçam fechar BR-158 – Eles alegam que houve fraude na demarcação da terra indígena, que na verdade seria perto do Rio Xavantinho

Cerca de 130 xavantes contrários à demarcação da terra indígena Marãiwatsede ameaçam interditar mais uma vez a BR-158, na região de Alto Boa Vista (distante 1.065 km de Cuiabá). Eles protocolaram junto à Presidência da República um pedido de suspensão do decreto que delimita a área.

O grupo afirma que a verdadeira aldeia fica a 70 km de distância do local apontado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), nas proximidades do Rio Xavantinho.

A suposta fraude na demarcação da terra teria sido motivada porque a verdadeira aldeia dos Xavantes já teria sido desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Ontem, membros da Associação dos Produtores Rurais da Gleba Suia Missú (Aprosum) também ingressaram com um recurso. Eles requereram a reconsideração da decisão da Justiça Federal que determinou, para 1º de outubro, o início da desintrusão da área de 165 mil hectares.

No mesmo dia, o governador Silval Barbosa (PMDB) criticou a iniciativa da Funai em demarcar a área sem levar em consideração a opinião do governo do Estado e avisou que não vai intervir para auxiliar na retirada das quase seis mil famílias que vivem na região, segundo a Aprosum.

“Quando você vai mexer com a vida das pessoas, tem que ouvir essa comunidade ou o representante delas que, neste caso, é o Estado. Mas quando há instabilidade ou conflito é que o governo é procurado. Na Suia Missú, se houver conflito não adianta pedir polícia para Mato Grosso. Eu não vou ceder. Não vou colocar polícia para resolver uma questão que eu entendo poder ser solucionada com bom senso”.

O peemedebista ainda voltou a ressaltar a tentativa de permuta que o Estado buscou para manter os posseiros no local. Conforme a proposta, os produtores rurais permaneceriam na região da gleba enquanto os índios seriam remanejados para um parque estadual.

Entre os argumentos do governo para convencer a Funai estava a melhor condição da fauna e flora do local sugerido e investimentos em infraestrutura para os xavantes.

O processo de retirada dos não-índios da região conhecida como Gleba Suiá Missú já teve início. Técnicos da Funai trabalham na instalação de uma base de operação no Posto da Mata, distrito de Alto Boa Vista, onde está localizada a maior parte das pessoas que deverão deixar suas propriedades.

No local, também já estão funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBAMA), que atuam no combate a crimes ambientais, em especial incêndios, e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que têm como principal objetivo manter a rodovia livre.

Esta é a segunda vez que a BR-158 pode se tornar alvo de protestos motivados pela retirada dos produtores da gleba. Em junho, posseiros e índios contrários à demarcação já fecharam a rodovia.

À época, Alto Boa Vista foi a cidade mais afetada e chegou a ter situação de emergência decretada. O município ficou ilhado e acabou desabastecido de alimentos, água e combustível.

diariodecuiaba

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