Índios do Xingu assistem a filme sobre saga dos irmãos Villas-Bôas

Meio século depois da criação do parque nacional, hoje o Xingu abriga mais de seis mil índios de 16 etnias.

Três irmãos em busca de aventura. Uma expedição rumo ao desconhecido. A luta para salvar povos ameaçados em pleno coração do Brasil. Parece roteiro de filme épico. E é. Mas é principalmente um pedaço da história do Brasil: a extraordinária vida os irmãos Villas-Bôas.

O mapa do Brasil de 1940 mostrava um vazio bem no meio país. Quando encontraram os habitantes daquela área supostamente vazia, os Villas-Bôas evitaram a guerra contra os índios.

Os Villas-Bôas abriram trilhas, construíram pistas de pouso e lutaram para o governo reservar um espaço para os índios. Esse refúgio existe até hoje. É para lá que a equipe do Fantástico vai: o Parque Nacional do Xingu.

Voamos até a reserva com a equipe que filmou a saga dos Villas-Bôas. O diretor Cao Hamburger fez questão de mostrar o filme primeiro para os índios.

A casa onde viveu Orlando, o mais velho dos irmãos, ainda está de pé, diante de uma paisagem incrível. No filme, a atriz Maria Flor vive dona Marina, a enfermeira que teve dois filhos com orlando Villas-Bôas.

“Ela é uma pessoa entre o Orlando e o Cláudio. Ela tinha uma relação muito forte com o Cláudio, ela me contou”, diz Maria Flor.

Para os Villas-Bôas, o índio só pode sobreviver dentro da sua própria cultura. Mas como andam os índios do Xingu?

“Aqui tem bastante onça. De noite, né?”, diz o agente de saúde Itã Yawalapiti.

Andam de carro, se for preciso. Itã Yawalapiti é dono de um dos poucos automóveis particulares.

Itã – Eu queria curtir um pouco com o carro.
Fantástico – E você trouxe ele de que jeito?
Itã – Eu trouxe da balsa, né?

A carona nos leva à aldeia Yawalapiti. A maioria dos adultos usa roupas – é o costume, quando tem visita. Em uma das únicas construções, os jovens acessam a internet. Mas vamos à casa de Itã. Lá dentro, alguns confortos modernos, como relógio digital e a enorme TV, usada duas horas por dia, quando o gerador funciona. Mas a vida segue como no passado. Incluindo a tradição de trancar as meninas depois da primeira menstruação.

“Só mulher pode olhar. E esses dois anos, a menina tem que aprender muita coisa, fazer esteira, fazer artesanato”, explica o agente de saúde.

O cacique Aritana é um dos líderes do Xingu. Ele era criança quando os Villas-Bôas chegaram. O seu povo, os Yawalapiti, estava reduzido a um punhado de pessoas. Hoje, Aritana comanda uma aldeia saudável, com cerca de 200 Yawalapiti.

“Hoje a gente está dentro desse parque agora, e nós estamos aqui só que o branco não está respeitando. Tira madeira, não tem respeito. Quando acontece isso, eu penso, ‘Gente, pra quem que a gente corre agora?’. Não tem mais aquele protetor mesmo, que cuida do índio, não tem mais”, fala a cacique Aritana Yawalapiti.

Quem procurou os cineastas para fazer filme da vida dos Villas-Bôas foi o caçula de Orlando, Noel.

“Eu achava importante essa história não morrer, como acontece no Brasil, a história recente vai sempre sendo esquecida” explica o filho de Orlando, Noel Villas-Bôas.

“Eles foram realmente heróis com h maiúsculo. A vida deles é muito transparente, cheia de contradições, de drama e tudo, mas eles são heróis”, diz o diretor Cao Hamburger.

No filme, o ator João Miguel vive Cláudio Villas-Bôas, o irmão do meio. Ele faz questão de repetir a frase famosa de Cláudio.

“Se a gente quiser pensar só em acumular riquezas, a gente não tem nada a aprender com os índios. Mas se a gente quiser aprender algo de mais valor sobre a família e sobre a comunidade, aí os índios podem ensinar tudo para você”, conta o ator João Miguel.

Meio século depois da criação do parque nacional, hoje o Xingu abriga mais de seis mil índios de 16 etnias. É claro que há ameaças à natureza do parque, à própria preservação da cultura dessa gente. Mas o que eles vão assistir nesta noite, nesta aldeia xinguana, aparecendo em uma tela grande de cinema, é uma celebração, um reencontro feito pelo cinema entre esses povos e os seus grandes protetores, os irmãos Villas-Bôas.

A gigantesca tela inflável viajou um dia inteiro de barco. Quando o projetor acende, os olhos dos nativos brilham na noite do Xingu. Eles se assistem e se reconhecem na tela – muitos xinguanos trabalharam no filme.

Hoje, o Xingu vai dormir em paz com o seu passado.

Veja o video exibido pelo fantastico:

CLIQUE AQUI E VEJA FOTOS DO DIA EM QUE INTEGRANTES DO FILME ESTIVERAM EM CANARANA !!

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