Instalado Laboratório Contra Lavagem de Dinheiro na Polícia Civil de Mato Grosso

O 22º Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) entrou em funcionamento nesta segunda-feira (24.03), no Brasil. O Laboratório foi instalado na Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso e irá ajudar as investigações policiais com análise de dados e produzir provas da movimentação financeira e tributária das quadrilhas que praticam variados crimes, entre eles o narcotráfico.
Durante cerimônia de inauguração do LAB-LD de Mato Grosso, no prédio da Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil, o coordenador da Rede Nacional de Laboratórios do Ministério da Justiça, Roberto Zaina, disse que o conjunto de laboratórios instalados no Brasil, nos últimos quatro anos, já auxiliou 1.800 casos de investigações que envolviam lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado. De acordo com Zaina, a Rede já identificou dentro dos casos analisados um montante aproximado de R$ 20 bilhões. “São resultados significativos e justamente por isso que estamos expandindo essa rede de laboratórios”, afirmou.
O coordenador também destacou três pontos da instalação do LAB-LD, o investimento em tecnologia, capacitação e cultura investigativa. “Trazemos um conjunto de ferramentas de alta tecnologia, mas é necessário investir na capacitação pessoal e, principalmente, consolidar uma nova cultura investigativa no Brasil, focada não só na prisão do criminoso, mas na busca daquele patrimônio oriundo das atividades ilícitas, ou mesmo o patrimônio que estrutura a organização criminosa”, destacou Roberto Zaina.
O secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, disse que o LAB-LD representa mais uma grande parceria do Estado com o Governo Federal. “Começamos essa luta há mais de um ano. As ferramentas chegaram para agregar a experiência do profissional de segurança pública. Com isso a PJC já vinha capacitando seus policiais para trabalhar nesse laboratório, que está instalado na Polícia Judiciária Civil, mas pertence a toda a Segurança”, destacou Bustamante.
O laboratório é uma ferramenta que auxilia a investigação de lavagem de dinheiro e outros crimes que envolvem volumes de dados financeiros. De posse de dados bancários, fiscais, telefônicos e cadastrais, todos autorizados pela Justiça, o Laboratório aplica soluções tecnológicas e métodos de análise para a identificação de ativos ilícitos.
O LAB-LD de Mato Grosso está instalado dentro da estrutura da Diretoria de Inteligência da Polícia Judiciária Civil. O diretor de Inteligência, Marcelo Martins Felisbino, disse que partir de agora as investigações conduzidas pelas delegacias de polícia terão condições de rastrear o dinheiro das organizações criminosas. “O crime de lavagem de dinheiro é um crime secundário. Existe um crime que antecede a lavagem de dinheiro, um tráfico de drogas, um desvio de dinheiro de público, e o Laboratório vem para auxiliar a recuperação desse dinheiro que foi roubado do Estado e, consequentemente, da população”, explicou.
A instalação do LAB-LD faz parte de convênio da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso com o Ministério da Justiça (MJ), com recurso é oriundo do Plano Estratégico Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (ENAFRON).
O Laboratório da Polícia Civil de Mato Grosso recebeu investimento na ordem de R$ 2,6 milhões com a transferência de tecnologia, softwares, hardwares e todos os equipamentos necessários para o funcionamento do Laboratório, incluindo a capacitação dos servidores e a contrapartida do Estado. O Ministério da Justiça é o responsável pela entrega dos equipamentos, treinamento de pessoal e capacitação em técnicas de análise.

O delegado geral da PJC, Anderson Garcia, destacou a importância da ferramenta para as investigações policiais. “É uma importante ferramenta que vai nos auxiliar na análise, na conjuntura de combate as organizações criminosas. Muitas vezes fazíamos a investigação e simplesmente pegando a autoria e a materialidade, as policiais civis davam por fim o trabalho. Hoje não, a metodologia está mudando agora com o Laboratório vamos nos preocupar em buscar esses ativos provenientes dos crimes praticados”, declarou Garcia.
Até março de 2015, a previsão do Ministério da Justiça é instalar 43 unidades e colocar em funcionamento 60 laboratórios espalhados por toda a Federação, até o ano de 2016. Em algumas unidades federativas, há mais de um laboratório, como é o caso do Distrito Federal, com cinco, e São Paulo, com quatro.
A Rede Nacional de Laboratórios foi criada em 2006 por iniciativa da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) e é coordenada pelo Ministério da Justiça por intermédio do Departamento Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado à Secretaria Nacional de Justiça.

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